Corinthians empata com o Vasco em casa e deixa a decisão para o Maracanã
A noite começou barulhenta. Faixas estendidas nas mãos dos torcedores, mosaico armado, memória puxada do baú. Mundial de 2000, Brasileiro de 2011, Libertadores de 2012. A Neo Química Arena virou um museu a céu aberto antes mesmo de a bola rolar. O recado era claro: aqui tem história, aqui tem camisa pesada.
A final da Copa do Brasil não pediu lembrança. Pediu presente. Pediu imposição. Pediu intensidade. Pediu postura de quem quer levantar a taça.
O jogo começou equilibrado, mas logo ficou claro: o Vasco se sentia mais confortável. Chegou mais, assustou mais, teve um gol anulado, uma bola na trave e criou as melhores chances. O Corinthians respondeu em lampejos. Um lance aqui, outro ali… mas, em nenhum momento, assumiu o controle da decisão em casa.
Teve gol anulado também, teve tentativa, teve entrega pontual. Mas final não se vence por capítulos isolados. Final se vence dominando o roteiro.
No segundo tempo, o cenário ficou ainda mais duro. Jogo travado, nervoso, tenso. A torcida seguiu empurrando como se o placar dependesse apenas do grito. Mas o time não transformou apoio em vantagem. Faltou agressividade, faltou clareza, faltou assumir o risco que uma final exige.

Saiu um 0 a 0 que não machuca no placar, mas incomoda no sentimento. Porque a Fiel fez sua parte. Cantou, empurrou, acreditou. Não largou em nenhum segundo. Mesmo quando o jogo travou, mesmo quando o time não engrenou, a arquibancada seguiu viva. Presente. Leal. Como sempre foi. E é por isso que a cobrança vem junto com o apoio.
Os 90 minutos passaram. Não foram bons. Mas não encerram nada. A decisão está aberta. O título ainda está ali, esperando quem tiver mais coragem no Maracanã. E se depender da torcida, o Corinthians não estará sozinho nem por um instante.
A Fiel segue com o time. Hoje, amanhã e no domingo. Com crítica, com amor, com exigência. Porque aqui não se abandona. Aqui se cobra e se empurra junto.
Agora é outra história. Agora é outra atmosfera. Agora é invasão. E que no Rio, o Corinthians entenda: a arquibancada já fez a parte dela. Está na hora do campo responder.
Por Roanna Marques
*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo.