Contra o PSG, Flamengo cresce na final, leva a decisão por 120 minutos e vê o sonho do mundial escapar nos pênaltis
O Flamengo esteve a poucos detalhes de escrever mais um capítulo histórico no futebol mundial. Na tarde desta quarta-feira (17), no Estádio Ahmad Bin Ali, em Al Rayyan, o Rubro-Negro empatou por 1 a 1 com o Paris Saint-Germain no tempo regulamentar e acabou superado nos pênaltis por 2 a 1. Uma decisão dura, definida no limite físico e mental, que não apaga a história escrita até aqui, e não diminui em nada a coragem e a competitividade desse elenco.

Desde o apito inicial, o PSG tentou impor seu estilo, com posse de bola elevada e intensidade na troca de passes. O Flamengo, visivelmente nervoso nos primeiros minutos, encontrou dificuldades para sair jogando e recorreu a lançamentos longos em busca de Bruno Henrique. Com apenas 8’ de bola rolando, um erro de Rossi quase custou caro: a bola chegou a balançar as redes, mas o VAR salvou o Rubro-Negro ao apontar que a bola havia saído antes da finalização. O susto, porém, não esfriou o domínio dos europeus.
Mesmo com menos posse de bola, o Flamengo buscava resistir. Aos 16’, em uma das poucas chegadas rubro-negras na etapa inicial, Pulgar arriscou de fora da área e obrigou Safonov a trabalhar. O PSG seguiu rondando a área até encontrar o gol, e foi assim que aos 37’, Doué avançou pela direita, cruzou rasteiro e Kvaratskhelia se antecipou para vencer Rossi, abrindo o placar para os franceses. 1×0 PSG.
O segundo tempo começou com o mesmo roteiro, mas a história mudou quando Filipe Luís decidiu entrar com Pedro no lugar de Carrascal. Com mais presença ofensiva, o time passou a competir mais no campo do adversário. E com 14’, a pressão deu resultado: Arrascaeta recebeu dentro da área, Marquinhos errou o tempo do bote e cometeu o pênalti. Jorginho, com frieza, deslocou Safonov e empatou a final, recolocando o Flamengo no jogo e incendiando a decisão. 1×1, tudo igual no Qatar.
A partir daí, o Rubro-Negro cresceu. Pedro passou a ser referência, incomodando a zaga francesa, enquanto Bruno Henrique e Plata encontravam espaços nos contra-ataques. O PSG tentou retomar o controle, mas encontrou um Flamengo mais organizado, competitivo e confiante. Na reta final, o time carioca esteve mais perto do segundo gol do que o adversário. Pedro teve finalização desviada após jogada em velocidade, e Plata desperdiçou grande chance ao arriscar por cima da trave.
Nos acréscimos, o jogo flertou com o caos. Após saída insegura de Rossi, Dembélé cruzou rasteiro e Marquinhos, com o gol aberto, desperdiçou a chance que poderia ter decidido o título ainda no tempo normal. A decisão foi para a prorrogação.
Com o desgaste físico mais que evidente, a prorrogação foi marcada mais pela entrega do que pela inspiração. O PSG teve mais posse, mas esbarrou em uma defesa rubro-negra aguerrida, com Léo Ortiz sendo decisivo em bloqueios importantes. Rossi ainda apareceu bem em chute de fora da área de Nuno Mendes, mantendo o empate e levando a final para os pênaltis.

Na marca da cal, o roteiro foi doloroso e cruel. De La Cruz converteu a primeira cobrança do Flamengo, mas Safonov brilhou ao defender os chutes de Saúl, Pedro, Léo Pereira e Luiz Araújo. Pelo lado francês, Vitinha e Nuno Mendes foram suficientes para garantir o título inédito do PSG, apesar dos erros de Dembélé e Barcola.
O Flamengo se despede do Intercontinental com a sensação amarga de que esteve muito perto. Foram 120 minutos em que o torcedor rubro-negro acreditou, acreditou de verdade. A cada disputa vencida, a cada defesa que mantinha o empate, crescia a sensação de que dava. Que estava maduro. Que era possível. E quando o jogo resistiu até os pênaltis, o sonho parecia ao alcance das mãos.
A frustração vem exatamente daí: não da derrota, mas da forma como ela veio. De ver uma final mundial escapar numa sequência de cobranças desperdiçadas, depois de competir, reagir e enfrentar de igual para igual o fucking Paris Saint-Germain. O Flamengo não foi coadjuvante. Foi protagonista até o último suspiro e é isso que torna o desfecho tão doloroso quanto inesquecível.
Por Rayanne Saturnino
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