Jogando muito abaixo do esperado, o Cruzeiro perde para o Corinthians no jogo de ida
Na noite desta quarta-feira (10), no iluminado Mineirão, a primeira parte dos dois capítulos rumo à glória que o Cruzeiro sonhava escrever na semifinal da Copa do Brasil não terminou como a torcida celeste esperava. O Corinthians conseguiu vencer por 1 a 0 e levou para casa a vantagem no duelo decisivo.
O drama, que não fazia parte do roteiro que a Raposa idealizou para 2025, transformou o que deveria ser o jogo mais importante da temporada, até agora, em uma noite de frustração. A equipe celeste, que tinha tudo para impor seu jogo diante de mais de 59 mil vozes azuis, acabou encontrando um cenário adverso: erros de passe, desorganização em momentos cruciais e a estratégia do adversário funcionando quase à perfeição. Talvez a chuva, talvez a tensão, mas o céu, definitivamente, não conseguiu ser estrelado.
Para o torcedor, a noite nublada pareceu atravessar o desempenho em campo. O Cruzeiro que todos queriam ver não apareceu, e o artilheiro da equipe não conseguiu balançar as redes. Mas a história está longe de acabar. Ainda existe o jogo da volta, e é nele que a Raposa terá a chance de recuperar a confiança, virar a página e lembrar ao Brasil por que é o verdadeiro Rei das Copas.

Primeiro tempo: Ato de drama na toca 3
O primeiro tempo do jogo de ida da semifinal da Copa do Brasil entre Cruzeiro e Corinthians, no Mineirão, foi um capítulo denso, pulsante e cheio de viradas emocionais. Uma etapa marcada por sustos, lampejos de genialidade, alternâncias de domínio e um golpe que deixou a Toca 3 mergulhada em silêncio. No fim dos 45 minutos, a vantagem era mínima, mas cruel: 1 a 0 para os visitantes, gol de Memphis Depay.
O Corinthians iniciou o duelo como quem tenta sufocar um gigante adormecido. Marcações altas, lançamentos agressivos, velocidade pelas pontas, tudo para tirar o Cruzeiro do eixo. Logo nos minutos iniciais, Cássio foi convocado a reescrever seu próprio passado. Em uma defesa monumental após desvio de Carrillo, o goleiro celeste segurou o placar e reacendeu o Mineirão.
Aos poucos, o Cruzeiro acordou. Passados os dez minutos iniciais, a Raposa respirou fundo, reorganizou o meio-campo e começou a ditar o ritmo. Matheus Pereira e Kaio Jorge apareceram nas entrelinhas, prendendo a bola, criando espaços, obrigando Hugo Souza a trabalhar. O chute de MP10, defendido pelo goleiro adversário, foi o aviso de que a Raposa tinha entrado na partida.
Mas justamente quando o Cruzeiro tomava as rédeas do confronto, o roteiro se desdobrou contra os mandantes. Em um raro contra-ataque bem encaixado, Yuri Alberto ajeitou de cabeça e Depay acertou a canhota, fria como o luar sobre o Mineirão. O gol, 11º do holandês na temporada, mudou o clima, o som e até o ar no estádio.
Mesmo assim, o Cruzeiro não cedeu ao abismo. Continuou tentando pela troca de passes, pelas infiltrações, pelo toque refinado que caracteriza este elenco. As melhores chances vieram nos acréscimos: Keny Arroyo, aos 44, e William, aos 49, pararam na muralha corintiana.
A reta final ainda foi marcada por tensão. Depay recebeu amarelo por uma entrada dura, e uma falta sofrida por Lucas Villalba interrompeu o impulso final da Raposa antes do apito encerrar o primeiro ato da semifinal.
Mesmo em desvantagem, o Cruzeiro precisava encontrar respostas no intervalo. A noite era difícil, mas o elenco, todos sabiam, tinha futebol suficiente para virar uma história inteira em 45 minutos.
Segundo tempo: Batalha Celeste

O segundo tempo foi um daqueles capítulos que escorrem pesados nos músculos, na garganta, no coração. A disputa que começou tensa terminou épica, carregada de choques, interrupções, substituições emergenciais e oportunidades que pararam no limite entre o grito e o lamento.
Logo no início, o Cruzeiro perdeu Lucas Villalba, que deixou o campo mancando e com gelo no joelho, uma cena que gelou o torcedor e reacendeu o alerta para o jogo de volta. Jonathan entrou para reorganizar a defesa.
O Corinthians também enfrentou suas dores. Yuri Alberto caiu no gramado aos 19 minutos e, após atendimento, deu lugar a André. Carrillo, incansável no primeiro tempo, também saiu para a entrada de Vitinho. Eram sinais claros de que a partida havia se tornado uma guerra de resistência física e mental.
A Raposa respondeu com ousadia: Gabriel Barbosa substituiu Keny Arroyo para dar profundidade e agressividade ao ataque. Depois vieram mais mudanças, buscando fôlego, variação e esperança. A semifinal pedia coragem.
Se a primeira etapa já havia sido intensa, o segundo tempo virou um território minado. Romero do time Paulista recebeu amarelo. Gustavo Henrique, pouco depois. E o cartão mais doloroso veio aos 39: Lucas Romero, pendurado, levou amarelo e virou desfalque para o jogo da volta, arrancando um suspiro profundo do Mineirão.
Ainda assim, o Cruzeiro criou. Criou e fez o Mineirão acreditar.
Keny obrigou Hugo Souza a fazer grande defesa aos 2 minutos. Yuri Alberto quase ampliou para o Corinthians. Kaio Jorge tentou duas vezes, mas a marcação travou no instante derradeiro. Vitinho arriscou de ângulo improvável. Breno Bidon chutou de fora. Os dois lados atravessavam o limite entre o possível e o impossível.
Nos acréscimos, Kaio Jorge e Fabrício Bruno ainda incendiaram o estádio, arrancando aquele “QUASE!” que ecoa até depois do apito final.
O jogo terminou, mas a sensação era de que a batalha havia deixado cicatrizes. A guerra, porém, seguia viva, latejando no horizonte. A semifinal vai para São Paulo com o Cruzeiro ferido, mas jamais derrotado. A história ainda tem um último capítulo e é nele que a Raposa pode rugir mais alto.
Próxima batalha
Buscando alcançar o objetivo da classificação, o Cruzeiro viaja para São Paulo para o jogo de volta no dia 14/12, às 18h, para enfrentar o Corinthians na Neo Química Arena, preparado para disputar o jogo de sua vida.
A missão é clara: apenas a vitória interessa, já que o empate classifica o time paulista para a final.
Quem é cruzeirense sabe, e já viveu, histórias de conquistas improváveis, viradas épicas e noites em que a Raposa desafiou toda lógica. Por isso, vamos para esse duelo acreditando até o último minuto que o sonho da final é possível.
Time nós temos. Garra, ainda mais. Vontade de vencer, então, nem se fala.
É por isso que o Cruzeiro precisa encarar esse jogo como se fosse o último de suas vidas. Porque, quando a Raposa decide lutar, o impossível vira só mais um detalhe no caminho.
Por Mury Kathellen
*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo.