Nem sem o que dizer…


Sem dar nenhum chute ao gol, Verdão perde e termina com vice da liberta 

Neste sábado (29), o Palmeiras enfrentou o Fluminense no Estádio Monumental, em Lima, no Peru, pela final da Copa Libertadores. Com uma atuação pífia, a equipe perdeu por 1 a 0 e viu o adversário conquistar mais um título.

Foto: Cesar Greco

Ontem vimos que, as palavras falham e, assim como foi o restante da temporada, a atuação na tarde de ontem não foi diferente. O Alviverde, que havia apostado tudo na final da Libertadores e adotou o discurso de que era o jogo do ano, não fez absolutamente nada em campo para transformar o título em uma possibilidade real. 

Faltou coragem, entrega, vontade. Faltou jogar pelos milhares de torcedores espalhados pelo mundo que, inclusive, mesmo com a derrota vergonhosa, saiu dos arredores do Allianz Parque fazendo festa, como se nós tivéssemos ganhado o título — algo que não aconteceu. 

O time abriu mão de jogar o Brasileirão, por “desgaste físico” e passou a adotar a fala de que a glória eterna era o objetivo, mas ontem não vimos nada disso — e sim, esse pós-jogo vai ser o mais imparcial possível, mas já adianto que aqui, eu nunca, em hipótese alguma, vou xingar ninguém, até porque eu já o não faço em momento nenhum. Isso é apenas um desabafo de uma torcedora que esperava mais, que sabe da grandeza do time que entrou em campo e sabe que ele é capaz de fazer mais do que fez a temporada inteira. 

Eu realmente estou, desde 20h da noite de ontem, tentando entender o que levou o time a atuar daquela forma e ainda não achei respostas. A competição que deveria salvar o ano, veio para afogar de vez as lágrimas. Mas confesso que, ontem, eu não derramei nenhuma — e isso entra para a série de coisas que eu não consigo entender. Eu tenho duas hipóteses: a primeira é de que eu me blindei o suficiente para entender que nem sempre vamos vencer e tudo bem, porque futebol é assim, e é exatamente por isso que ele é mágico. A segunda é porque faltou vontade da equipe e, sendo assim, não tem motivos para derramar lágrimas. A resposta? Talvez eu descubra mais pra frente. Mas espero, de coração, que seja a primeira, porque como futura jornalista que busca imparcialidade, essa “maturidade” vai fazer diferença.

O desgaste físico existe, claro, mas nunca vai fazer sentido quando ele aparece justamente no momento em que não deveria. O time poupou jogadores, perdeu o Brasileirão e de nada adiantou. O clube simplesmente não jogou bola, não finalizou para o gol, não criou.

Houve lances duvidosos da arbitragem? Sim! Mas isso não justifica — e nunca vai justificar. Os atletas que vestem a camisa da Sociedade Esportiva Palmeiras não podem, em hipótese alguma, atuar como fizeram ontem, independente da idade que eles têm, independente de quando o time foi montado, é preciso ter coragem. Porquê esse clube é gigante, essa camisa é pesada. E faltou muita vontade dos 16 jogadores que entraram em campo.

Lembrando que, entre todos, apenas Carlos Miguel, Bruno Fuchs, Gustavo Gómez, Vitor Roque e Allan merecem ser poupados. Porém, ninguém, eu repito, NINGUÉM, consegue jogar sozinho por muito tempo. E isso vem acontecendo no Palmeiras há muito tempo. Já tivemos Dudu, Endrick, Estêvão e, agora, Allan e Roque. Todos eles, em algum momento, tiveram que resolver sozinhos.

O time precisa entender que é “por nós, pelos nossos, pelas nossas cores, pelo P no peito e pelo Alviverde inteiro”. Ou seja, todos jogam juntos — dos 11 titulares aos 5 que entram, dos que não foram usados naquela partida aos que não puderam ser inscritos, das categorias de base à gestão do clube como um todo, até chegar a torcida palmeirense, porque somos uma família, a família Palmeiras.

Sobre o jogo, eu realmente não tenho nada de positivo para falar do Verdão. O time foi engolido pelo Flamengo, que, inclusive, nem precisou se esforçar muito. Não tirando o mérito da equipe carioca, mas não houve uma superioridade absurda, eles apenas foram eficientes naquilo que se propuseram a fazer.

Vale lembrar que o primeiro tempo foi extremamente faltoso e, sim, o fato do Flamengo não sair com nenhum jogador expulso foi lucro para eles. Até agora, eu não entendo por que o lance aos 31 minutos, quando Fuchs foi atingido de forma violenta por Erick Pulgar, não resultou na expulsão do volante chileno. O VAR sequer chamou para revisão, enquanto o árbitro se acovardou na decisão. Inclusive, não vi nenhum comentarista de arbitragem dizendo que o lance não era para cartão vermelho, mas tudo bem, segue o jogo.

Passado o lance polêmico, o Palestra seguiu assistindo o jogo em campo, enquanto a defesa tentava se virar, mesmo sem ser tão sufocada pelo ataque flamenguista. Mas, no segundo tempo, em um escanteio que nem deveria ter sido marcado, o time cometeu um erro defensivo, e Danilo saiu quase da entrada da área para cabecear sozinho e marcar o único gol da partida.

O filme se repetia mais uma vez, a equipe não conseguia criar, já que não tem nenhum meia de articulação, e viveu na base do abafa, dos chutões e dos cruzamentos na esperança de que alguém resolvesse sozinho. E, como vocês já sabem, de nada adiantou.

A derrota dói porque o time jogou de uma forma completamente diferente daquela que o levou à final da Libertadores e à liderança do Brasileirão por algumas rodadas. Depois de cinco anos, a equipe termina a temporada sem nenhum título, e eu espero, de coração, que isso sirva de lição e aprendizado, para que a equipe venha entender o que não pode ser repetido no ano que vem e o que, urgentemente, precisa ser melhorado.

Seguimos juntos, sempre pelo Palmeiras. Avanti Palestra, voltaremos mais forte! 

Por Tamara Ferreira 

*Esclarecemos que os textos desta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo.


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