Virada histórica no Mangueirão, festa da torcida e emoção máxima consagram o Leão Azul na elite do futebol brasileiro
O Mangueirão viveu uma de suas tardes mais memoráveis neste domingo (23). Diante de quase 50 mil torcedores, o Remo escreveu um capítulo histórico ao vencer o Goiás por 3 a 1, de virada, garantindo o tão aguardado retorno à Série A após 32 anos longe da elite. A partida decisiva da 38ª rodada da Série B reuniu emoção, sofrimento, explosão de alegria e uma demonstração impressionante de paixão nas arquibancadas.

Antes mesmo do apito inicial, o clima já era diferente. A torcida azulina transformou o Mangueirão em um mosaico vivo: bandeirão erguido, balões azuis e brancos, fumaças coloridas e um enorme mosaico que tomava quase todo o setor de arquibancadas, formando as frases: HONRA ESSA CAMISA e POR NÓS INTERCEDEIS, deram o tom de um jogo que estava destinado à história. O barulho ensurdecedor das arquibancadas fazia o estádio vibrar como se fosse um organismo pulsante, empurrando a equipe desde o primeiro minuto.
Em campo, porém, o início foi tenso. O Goiás abriu o placar logo aos 6 minutos, com Willean Lepo acertando um chute forte da entrada da área, deixando o Mangueirão em silêncio por alguns segundos. Mas a resposta azulina veio na base da insistência e da raça. O Remo passou a dominar as ações, finalizou mais, pressionou pelas laterais e rondou o gol adversário até que, nos acréscimos do primeiro tempo, Pedro Rocha, artilheiro e símbolo da campanha, recebeu na intermediária e soltou um foguete para empatar. O gol fez o estádio tremer, era o combustível que faltava para a virada.
No segundo tempo, o Remo voltou decidido. Aos 17 minutos, Pedro Rocha encontrou João Pedro entrando na área; o atacante completou para o gol e virou a partida, levando a torcida à loucura. O Mangueirão parecia um vulcão em erupção. A festa nas arquibancadas envolvia cantos contínuos, um novo mosaico espontâneo formado por lenços erguidos e bandeiras tremulando como ondas. Cada ataque azulino era acompanhado de gritos de incentivo, cada desarme virava uma celebração.
Aos 38 minutos, João Pedro voltou a brilhar, desta vez de cabeça, marcando o terceiro gol e selando o destino da partida. Nesse momento, muitos torcedores já choravam, outros se abraçavam sem sequer conhecer a pessoa ao lado. Era o sentimento acumulado de 32 anos de espera, frustrações e esperança, tudo liberado em um único instante de catarse coletiva.

Quando o árbitro apitou o final da partida, o Mangueirão virou um mar azul em movimento. Milhares de torcedores invadiram o gramado para celebrar com jogadores e comissão técnica. Pedro Rocha e o vice-presidente do clube atravessaram o campo de joelhos, agradecendo à torcida e ao destino. Do lado de fora, o Remo havia preparado um trio elétrico na Aldeia Cabana onde jogadores e torcedores se encontraram para continuar a celebração madrugada adentro.
A festa foi a síntese perfeita da força cultural que o Remo representa para Belém. Não foi apenas o acesso de um clube: foi a reafirmação de uma identidade, a celebração de um povo e a comprovação de que a torcida azulina é uma das mais apaixonadas do país. O Leão voltou à elite, e voltou empurrado por um espetáculo nas arquibancadas que ficará para sempre gravado na memória do futebol brasileiro.
Por Lorena Almeida
*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo.