Contra tudo e contra todos, Coritiba é campeão da Série B


Coxa vence o Amazonas e se sagra tricampeão da competição

O torcedor alviverde enfim pôde respirar. Após uma longa espera, o Coritiba é novamente campeão brasileiro da Série B. O Coxa venceu o Amazonas por 2 a 1 neste domingo (23), em Manaus, com gols de Sebastián Gómez e Iury Castilho. Quinze anos após seu último título nacional, o clube volta a erguer um troféu — o primeiro da era SAF.

JP Pacheco

O início da partida foi marcado pela pressão do time da casa. O Amazonas adiantou as linhas e obrigou o Coritiba a se defender nos minutos iniciais. Mesmo assim, a equipe comandada por Mozart manteve a solidez defensiva que caracterizou sua campanha. Quando exigido, o goleiro Pedro Morisco apareceu com defesas seguras e evitou o pior.

Melhor visitante da competição até a última rodada, o Coritiba abriu o placar aos 39 minutos do primeiro tempo. Após jogada de Lucas Ronier pela direita, Sebastián Gómez finalizou com precisão para colocar o Coxa em vantagem. O gol coroou a trajetória do capitão, que chegou ao clube em 2023, ainda na Série A, e fez parte da reconstrução que culminou no acesso. Durante a semana, el capitán já tinha adiantado que o elenco merecia o título pela história que escreveu durante o ano e estava mais do que certo.

Ainda na etapa inicial, Iury Castilho recebeu ótimo passe de Dellatorre e ampliou, anotando o gol que garantiria o título alviverde. No segundo tempo, Luan Silva descontou para o Amazonas, aumentando a pressão dos mandantes e obrigando Morisco a intervir novamente com grandes defesas.

Retrospecto

Para entender o tamanho deste título, é preciso voltar a 2023, um ano marcado pela irregularidade na Série A, pela turbulência interna e, no meio disso, pelo início da negociação que levaria o clube à era SAF. A mudança era necessária, quase inevitável, mas não trouxe efeito imediato em campo. O Coritiba encerrou a temporada rebaixado, com uma torcida exausta e um clube em reconstrução.

Se 2023 foi difícil, 2024 foi ainda mais amargo. No primeiro ano sob gestão da Treecorp, o Coritiba viveu a pior campanha de sua história recente na Série B. O time brigou na metade inferior da tabela, acumulou tropeços, trocou comandos técnicos e perdeu a conexão com a torcida. O acesso não esteve perto nem por um instante. Era claro que uma virada precisava acontecer — e rápido.

E ela veio em 2025. Com planejamento mais sólido, reforços pontuais e uma base que finalmente encontrou identidade, o Coritiba se reencontrou. Sob o comando de Mozart (ou Teimozart, como os mais críticos gostam de brincar) o time ganhou padrão, força defensiva e uma surpreendente autoridade como visitante, algo impensável um ano antes.

Jogadores como Sebastián Gómez, Pedro Morisco, Lucas Ronier, Iury Castilho, Josué, Jacy, Maicon e Wallisson tiveram papéis decisivos ao longo do caminho. A defesa se consolidou como a melhor do campeonato, enquanto o ataque soube ser letal longe de casa. Mais do que estar entre os primeiros, o Coritiba assumiu o protagonismo e transformou a promessa do acesso em algo maior.

O título da Série B de 2025 é mais que uma taça: é o símbolo de um ciclo que começou no caos, passou pela reorganização e encontrou respostas. É a lembrança de que, no futebol, nada é definitivo — nem a queda, nem a fase ruim — e que sempre existe espaço para recomeçar. Para o torcedor, representa esperança. Para o clube, um ponto de virada.

Mozartball

Para o técnico Mozart, a consagração desta temporada tem um sabor especial. Campeão pelo Coxa em 1999 como jogador, ele repetiu o feito agora no comando técnico, alcançando sua primeira taça nacional na nova função. 

“Sou grato a Deus de ter proporcionado e como foi, com o nosso rival com chance e na última rodada. É especial ser campeão com o Coritiba, primeiro título como atleta em 1999 e depois 26 anos como treinador. Teve um ingrediente especial que era o rival com chance de título, mas acabamos com a esperança deles. Esse título ficará na memória. Foi uma conquista fantástica”, disse.

E ele fica. No desembarque do elenco após o título da Série B, o treinador confirmou que acertou a renovação de contrato por mais um ano. 

Foto: Rafael Ianoski

Olho em 2026

Depois da comemoração ao lado da torcida e dos jogadores, o Coritiba vira a chave. Deve iniciar, nos próximos dias, o processo de lista de dispensa, mapeamento de reforços e ajustes internos para encarar o novo desafio: transformar o título de hoje no alicerce de um futuro competitivo na elite do futebol brasileiro.

A próxima temporada já tem data para começar. No dia 7 de janeiro, às 20h30, o Coritiba enfrenta o Foz do Iguaçu pelo Campeonato Paranaense 2026. A Série A está prevista para começar no dia 28 de janeiro, ainda sem tabela definida.

Por Raphaella Heinzen, colunista e tricampeã.

*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo.


Deixe um comentário

Veja Também:

Faça o login

Cadastre-se