Até daqui a pouco, Série B


América é derrotado na última partida e inicia o planejamento para 2026

O América-MG encerrou a temporada com uma derrota por 1 × 0 diante do Athletico-PR na Arena da Baixada, em Curitiba-PR, pela 38ª rodada da Série B. O desfecho era quase previsível: o Coelho viajou para enfrentar um adversário embalado, em busca de acesso, e ele próprio sem objetivos além de cumprir tabela. A falta de ambição clara e o ambiente carregado da Arena agravaram a situação, fazendo com que o Coelho não encontrasse espaço para impor seu ritmo.

Foto: Robson Mafra/Folhapress

Desde os primeiros minutos, ficou claro que o ritmo do jogo seria ditado pelo time da casa. A equipe paranaense precisou assumir o protagonismo, empurrada por um estádio lotado e por uma pressão gigantesca pelo acesso, enquanto o América adotou uma postura mais reativa, tentando se proteger como podia. O Coelho até encaixou alguns momentos de organização, mas teve dificuldades para manter a posse e transformar as poucas recuperações de bola em jogadas que realmente ameaçassem o adversário. Sem intensidade e com pouca profundidade ofensiva, o time passou boa parte da partida limitado ao próprio campo, administrando o que dava diante da força do Athletico.

O jogo acabou sendo decidido ainda no primeiro tempo, quando João Cruz marcou aos 40 minutos após uma jogada em que o Athletico-PR conseguiu, enfim, furar a resistência americana. O lance saiu pelo lado esquerdo, justamente onde o adversário mais insistia, e encontrou a defesa do Coelho desajustada no momento crucial. A bola sobrou limpa para o atacante, que finalizou sem chances para Gustavo. Foi um golpe duro porque veio no único instante em que o América perdeu a concentração na marcação, mostrando outra vez como pequenos vacilos custaram caro ao longo da temporada.

Do lado americano, é impossível ignorar que o torcedor tem todo o direito de estar chateado. O ano foi pesado, desgastante, cheio de erros acumulados dentro e fora de campo, e esse cansaço coletivo não desaparece com uma última rodada protocolar. Ainda assim, é preciso olhar para a realidade dos fatos: quando Alberto Valentim chegou, o América caminhava perigosamente para o rebaixamento, sem identidade e sem confiança. 

Com todas as limitações do elenco, o treinador conseguiu reorganizar o básico, estancar a sangria e cumprir a missão de manter o clube na Série B. No meio do caos, surgiram pontos que merecem ser reconhecidos, como a chegada de Gustavo, que trouxe segurança e personalidade em momentos críticos. Entre altos e muitos baixos, o elenco ainda revelou lampejos que dão algum alento para 2026. Porque, diante de tudo o que aconteceu, a verdade é simples e dura: poderia ter sido um ano de queda para a Série C. E não foi. Isso, por si só, já precisa entrar na conta do que dá para construir daqui para frente.

Agora, o América precisa virar a página e enxergar 2026 com a clareza que este ano obrigou a ter. O calendário começa cedo, com um Campeonato Mineiro que carrega o peso de tradição, história e a urgência de um título que falta há quase uma década. Logo depois vem a Copa do Brasil, competição que pode transformar o clube financeiramente e que já nos mostrou, em 2020, que o América sabe competir em grandes palcos. E, por fim, a Série B, nossa principal jornada e o caminho que pode recolocar o Coelho onde ele merece: de volta à elite. Para isso, não basta esperança; precisamos de trabalho sério, investimento real, diretoria atenta e gente com vontade de reconstruir. O ano que vem começa em janeiro, cedo, intenso, exigente. Que seja melhor. Que seja digno. Que seja América.

E fica aqui meu agradecimento. Este foi meu primeiro ano escrevendo para esta coluna. Não foi um bom ano para o time, mas foi uma baita experiência compartilhar a paixão pelo futebol com outras mulheres e transformar sentimentos em palavras. Em meio ao caos, encontrei acolhimento, parceria e troca. Agradeço especialmente aos meus colegas americanos, que seguem firmes, pacientes e fiéis mesmo quando o América insiste em testar nossos limites. Sigamos juntos, porque torcer é isso: amar apesar de tudo, esperar apesar de tanto e recomeçar sempre.

Laura Assis Ferreira


Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo


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