Cruzeiro sai atrás, renasce duas vezes e arranca um 3×3 épico contra o Juventude
O Alfredo Jaconi testemunhou um daqueles jogos que ficam guardados na memória. Juventude e Cruzeiro se enfrentaram em um duelo que teve de tudo: vantagem rápida dos donos da casa, reação celeste, trocação franca, golaços, paradas, cartões e um protagonista que escreveu seu nome na partida. No fim, o placar de 3 a 3 contou apenas parte da história de uma batalha marcada pelo brilho do artilheiro Kaio Jorge, autor de dois gols, pela luta de Sinisterra, que havia diminuído ainda no primeiro tempo, e pela intensidade ofensiva do Juventude, que marcou com Marcelo Hermes e Gabriel Taliari, este último saindo de campo como o grande nome alviverde.
Foi um jogo de nervos à flor da pele, reviravoltas emocionais e um Cruzeiro que, mesmo pressionado e atrás do placar duas vezes, não desistiu até o último lance. Um empate que teve sabor de resistência, sobrevivência e alma azul espalhada pelo gramado gaúcho.

Primeiro tempo: Cruzeiro renasce após susto inicial
O Alfredo Jaconi ferveu. E não é exagero. Assim que a bola rolou para Cruzeiro e Juventude, parecia que o estádio inteiro puxou o ar ao mesmo tempo e soltou um grito quando o time da casa começou o jogo como um foguete. O placar de 2 a 1 para o time da casa ao fim da primeira etapa contou a história, mas não explicou o terremoto que foi esse primeiro tempo.
O Cruzeiro até tentou dar as caras logo cedo. No primeiro minuto, Lucas Romero apareceu batendo firme, e Sinisterra já deixava claro que seria protagonista. Aos 7, Gabigol arriscou de fora, mas a bola não quis conversar.
E aí veio o baque. Aos 8 minutos, Marcelo Hermes acertou um míssil de canhota, daqueles que o torcedor só faz o sinal da cruz. O Jaconi explodiu: 1 a 0.
A Raposa sentiu. E quando tentou respirar, veio mais um soco: Gabriel Taliari, aos 16, apareceu na área e mandou pro fundo, 2 a 0. Silêncio na torcida azul, barulho ensurdecedor no lado verde.
O Juventude estava ligado no 220V. Pressão, divididas, corpo a corpo e cartões para todo lado. Mandaca, Matheus Henrique e Nenê foram amarelados na sequência de lances tensos, mostrando que o jogo não era só técnico, era emocional, físico e de guerra.
Mesmo atordoado, o Cruzeiro não largou o osso. Gabigol tentou de novo, Villalba chegou a balançar a rede em impedimento, William se desdobrava na contenção, mas faltava alguém para acender o pavio.
E esse alguém apareceu aos 42 minutos, Sinisterra, o colombiano elétrico, subiu bonito no meio da área e testou pro gol, diminuindo: 2 a 1. Um gol que valeu como um gole de ar depois de um mergulho profundo.
Um primeiro tempo que foi um vendaval e deixou a porta aberta para um épico. O Juventude começou como uma avalanche, abrindo 2 a 0 e parecendo que ia atropelar. Mas o Cruzeiro, aquele Cruzeiro teimoso que não aceita morrer fácil, achou força na reta final e voltou para o vestiário vivo na partida.E, nesse clima, o segundo tempo promete ser daqueles que mexem com a pressão arterial de qualquer cruzeirense.

Segundo tempo: Raposa buscou na raça o empate do jogo
O segundo tempo foi pura descarga elétrica, daqueles que mexiam com batimento de qualquer torcedor. Depois de ir para o intervalo perdendo por 2 a 1, o Cruzeiro voltou para o gramado como quem sabe que não existe escolha além de lutar. Logo no recomeço, Leonardo Jardim mexeu no time e colocou Japa no lugar de Matheus Henrique, buscando mais perna e intensidade no meio-campo.
E a resposta veio depressa. Aos 8 minutos, Kaio Jorge apareceu como um relâmpago dentro da área e empurrou para o gol, empatando a batalha em 2 a 2 e silenciando por um momento a pressão da torcida alviverde. O problema é que o jogo não dava tempo nem de respirar. Cinco minutos depois, aos 13, Gabriel Taliari devolveu o golpe: infiltração rápida, chute de muito perto e o Juventude voltava a ficar na frente, 3 a 2.
A partida entrou no modo sobrevivência. O Juventude fez uma leva de substituições: Giovanny e Abner entraram aos 9 minutos, Ewerthon aos 15, Alan Ruschel aos 20, enquanto o Cruzeiro também sofria com lesões e paradas, como as de Kaiky, Jádson e até do goleiro Jandrei. Aos 19, Juan Sforza entrou para reorganizar o meio do time da casa.
Do lado azul, Jardim respondeu com ousadia no fim da metade final: Kauã Prates, Ryan Guilherme e Kauã Moraes foram acionados quase simultaneamente aos 27 e 28, dando mais combustível ao time. Pouco depois, aos 36, Bolasie entrou no lugar de Sinisterra para tentar incendiar o ataque.
A tensão era tão grande que até o árbitro virou personagem. Aos 37, Alan Ruschel recebeu cartão amarelo por uma entrada perigosa, levantando a temperatura em campo.E foi então que o Cruzeiro renasceu na força do coração. Aos 39 minutos, Kaio Jorge iluminado, frio, decisivo, apareceu de novo, estufou as redes e colocou o 3 a 3 no placar. Um gol que parecia empurrar o time e fazer a camisa pesar diferente.
Os acréscimos foram um capítulo à parte. O quarto árbitro levantou a placa indicando 7 minutos, mas a sensação era de que o relógio tinha entrado em modo elástico. O Cruzeiro tentou buscar a vitória aproveitando dos escanteios, chutes travados, bolas que passaram raspando. Gabigol teve uma chance defendida no cantinho e, aos 50, cabeceou no meio da área e perdeu a virada que faria o Jaconi desabar.
Aos 51, no último suspiro, Kaio ainda finalizou pela esquerda e parou em Jandrei, enquanto o Juventude teve um ataque cortado por impedimento. E então veio o apito final, 3 a 3 no placar de um jogo que pareceu durar uma vida inteira.Foi drama, foi luta, foi coração na chuteira. E foi Cruzeiro, do jeito mais Cruzeiro possível.
Próximo desafio
A Raposa volta para casa no dia 23 de novembro, às 20h30, para encarar o Corinthians no Gigante da Pampulha. Jogo grande, daqueles que fazem o Mineirão tremer e que podem mexer diretamente com a tabela na reta final do Brasileirão.
Por Mury Kathellen
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