Em uma noite mágica, daquelas de perder o fôlego, a voz e renovar as esperanças, o Palestra fez milagre e mostrou que nunca se pode dar por morto um gigante
A noite de 30 de outubro de 2025 ficará marcada na memória de todos os palmeirenses espalhados pelo mundo. Foi neste dia, em uma quinta-feira — que jamais será apenas uma quinta —, no mesmo dia em que Abel Ferreira completou cinco anos no comando do clube, que a equipe, de forma extraordinária, venceu por 4 a 0 a LDU, no segundo jogo da semifinal da Libertadores, e se classificou, de virada, para a final da competição.

Em êxtase desde ontem, eu não sei se vou conseguir ser imparcial nesse texto. Pelo contrário, acredito que, em um momento como esse, eu não posso deixar de colocar sentimento e descrever, com clareza, certeza e amor, aquilo que me mantém viva.
Depois de um primeiro jogo com uma atuação horripilante — algo jamais visto sob o comando de Abel Ferreira, com erros na defesa, no ataque, além da altitude contra o gigante —, o maior técnico da nossa história prometeu 90 minutos diferentes no Allianz Parque. E, como ele mesmo disse, o mestre dos magos, gênio da bola, mostrou que noventa minutos em nossa casa é muito tempo.
Para um time que iniciou a partida precisando reverter um 3 a 0, onde já havia cometido alguns erros, não havia margem para falhas em casa — e assim foi.
Absolutamente tudo o que o senhor Abel Fernando Moreira Ferreira planejou para essa noite de quinta-feira, 30 de outubro de 2025, deu certo. Como ele mesmo garantiu, nas vezes em que teve oportunidade, daria certo. E deu. Somos finalistas da Libertadores. Três zagueiros, Allan pela ala direita e Ramón Sosa como titular: essas foram as mudanças do treinador, todas acertadas, todas com participação direta nos gols.

No primeiro tempo, assim como em todo o jogo, a equipe conseguiu abafar o adversário e se lançar constantemente ao ataque. O primeiro gol saiu aos 20 minutos, após uma excelente jogada de Allan — mostrando mais uma vez que a base sempre salva. O meia recebeu pela direita, ajeitou, cruzou e encontrou Sosa, que completou de cabeça. A chama do “eu acredito” estava acesa por completo.
O Verdão seguiu buscando o ataque, com a esperança sendo renovada nos acréscimos. Aos 50, na base da pressão, após cobrança de falta de Andreas, Bruno Fuchs aproveitou a sobra de bola na pequena área e finalizou de primeira, no último minuto do primeiro tempo, para marcar o 2 a 0.
Precisando de mais um gol para levar a disputa aos pênaltis, Abel Ferreira promoveu mudanças importantes aos 19 minutos do segundo tempo. Raphael Veiga e Felipe Anderson entraram nos lugares de Sosa e Mauricio. E não demorou para o grande nome da noite aparecer.
Quatro minutos depois, Veiga, do meio do campo, tocou para Vitor Roque, na entrada da pequena área, e correu como um foguete para aparecer na área, receber do tigrinho um passe belíssimo e entre três marcadores, dominar e finalizar. O 3 a 3 no placar agregado havia chegado. O sonho de voltar a uma final de Libertadores estava vivo, aceso & queimando dentro do peito.
Aos 32 minutos, Allan, Cria da Academia, foi decisivo mais uma vez. O menos badalado entre os atletas da base mostrou seu talento em uma jogada que exalou raça e habilidade pela direita, ganhando de quatro jogadores, até ser parado dentro da área com falta. Sim, um jovem de 21 anos foi decisivo e jogou de forma insana — assim como fazia na base. Porque a base cura, salva, e talento é o que não falta para o camisa 40. Allan Andrade Elias tem talento de sobra para jogar no time titular do Palmeiras, tem personalidade e sempre teve a convicção de que nunca estava atrasado. Ele é vencedor e nasceu para jogar bola. MONSTRO, FERA DA BOLA!
Na cobrança, Vitor Roque deu indícios de que bateria, mas, no último instante, entregou a bola nas mãos de Raphael Veiga. O cobrador oficial bateu com segurança e colocou o Alviverde à frente no placar agregado. A virada estava consumada.
E se teve gente que criticou a entrada do camisa 23, não demorou para aplaudi-lo e cantar: “Olé, olé, olé, olá… Veiga! Veiga!”
Aquele que foi questionado em diversos momentos da temporada — com falas que iam de “onde ele estava?” até afirmações de que não era decisivo, principalmente pelo pênalti perdido contra o Corinthians, nas oitavas de final da Copa do Brasil.

Na noite de ontem, aos 36 minutos, o camisa 23, respondeu, mostrando exatamente onde ele estava. O ídolo do Palmeiras estava no lugar, no momento e na sintonia certa. Jogou pelo seu avô, pela Sociedade Esportiva Palmeiras, pelo menino Raphael Cavalcante Veiga, palmeirense desde o berço, que acompanhava o avô na paixão pelo clube e prometeu que, se tivesse a oportunidade, jogaria no Palestra.
Assim ele o fez. Chegou em 2017, foi emprestado e, quando voltou, agarrou sua nova chance com unhas e dentes. Fez história e segue fazendo história no time que sempre amou e ama até hoje. Tinha que ser ele. Era noite do príncipe do Palestra resolver. A virada histórica no Allianz Parque foi consumada no momento, na hora e no pé certo.
Para todos aqueles que secaram, vale lembrar: o Palmeiras está na final da Conmebol Libertadores. Queremos o tetracampeonato da Glória Eterna. Lutaremos juntos, assim como na noite de ontem, pelo P no peito, sempre!
Esse jogo, com toda a certeza do mundo, entra para a lista dos melhores da história do país. O português fez mais uma façanha e segue escrevendo seu nome na história do futebol brasileiro. Ele é o maior treinador da nossa história e um dos maiores que já pisaram em nosso território.

Ao Abel Ferreira, fica aqui o meu agradecimento por tudo o que você faz no clube. Desde que chegou, há cinco anos, me tornei uma pessoa mais feliz. Obrigada, obrigada, obrigada, obrigada!
Eu te critico, te cobro (dentro de campo), mas tudo isso porque eu te amo e amo esse clube. Essa é a minha vida, e eu preciso que as coisas andem bem para ser feliz. Você é o cara que faz isso dar certo. Eu acredito — e te quero por muitos anos.
Por Tamara Ferreira
*Esclarecemos que os textos desta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo.