Derrota no interior paulista aumenta a pressão sobre o Tricolor, que acumula sete derrotas nos últimos oito jogos e vê a vaga na Libertadores mais distante; Crespo cobra autocrítica do elenco
Neste domingo (19), o São Paulo enfrentou o Mirassol no Estádio José Maria de Campos Maia, em partida válida pela 29ª rodada do Campeonato Brasileiro, e saiu derrotado por 3 a 0.
O resultado deixa evidente a fase ruim do Tricolor, que acumula sete derrotas nos últimos oito confrontos, incluindo Brasileirão e Libertadores. O jogo aconteceu em Mirassol, no interior paulista, e o time da casa aproveitou a ocasião para solidificar sua posição entre os quatro primeiros na classificação.

O treinador Hernán Crespo fez escolhas significativas em sua formação, incluindo o retorno de Lucas Moura, que estava machucado, mas a atuação do time não atendeu ao que era esperado. O Mirassol, dirigido por Rafael Guanaes, mostrou uma defesa sólida e agilidade nos contra-ataques, abrindo o placar logo no começo do jogo. Com esse triunfo, o Leão alcança 52 pontos, enquanto o São Paulo continua com 38, ocupando a oitava posição.
Os torcedores do Tricolor, que compareceram em número reduzido, expressaram descontentamento ao deixar o estádio durante a segunda etapa em forma de protesto. O resultado aumenta a pressão sobre a equipe, que luta para reverter a situação nas rodadas finais do Brasileirão e manter as chances de classificação para a Libertadores.
Sobre o jogo
Poucos segundos após o apito inicial, o Mirassol marcou o seu primeiro gol. No lance, Alesson aproveitou um cruzamento de Reinaldo pela esquerda e cabeceou para balançar as redes. O São Paulo sentiu o impacto e tentou reagir, especialmente através de jogadas com Lucas Moura, mas suas investidas não apresentaram perigo real.
Embora o São Paulo tentasse se impor, o Leão continuava ameaçando a área tricolor. Isso mudou quando o árbitro Matheus Candançan assinalou um pênalti por falta de Alan Franco em Carlos Eduardo, aos 34 minutos, reconhecendo o esforço do time da casa.
O lateral Reinaldo aproveitou a famosa ‘lei do ex’ no Maião ao assumir a responsabilidade e convertê-lo com maestria, aumentando a vantagem. O atleta veterano, por sinal, atingiu sua 16ª participação direta em gols do Leão na competição.
Apesar da desvantagem, o São Paulo tentou reagir ainda na primeira metade do jogo. Lucas Moura criou três oportunidades seguidas: uma cabeçada aos nove minutos, um chute desviado aos 19’ e uma tentativa de balançar as redes em uma finalização de longa distância, aos 21’. No entanto, em todas as tentativas, o goleiro do Mirassol mostrou forte capacidade defensiva.
A equipe de Hernán Crespo também encontrou dificuldades para avançar na defesa adversária. Com Calleri indisponível devido a uma lesão e outros jogadores enfrentando problemas físicos, o São Paulo se deparou com um oponente que soube controlar bem o jogo e minimizar os perigos.
No início do segundo tempo, as ações diminuíram o ritmo. O Mirassol começou a manter o resultado, enquanto o São Paulo continuava com problemas para criar chances. Aos 16 minutos, um novo momento tenso surgiu na área. Após um cruzamento de Reinaldo, a bola tocou em Lucas, e os jogadores do Mirassol pediram um toque de mão.
Após o VAR solicitar a revisão, o árbitro então confirmou a penalidade, aos 21’. Carlos Eduardo cobrou no canto direito, superando Rafael, e anotou seu primeiro gol com a camisa do Leão. Mirassol 3 a 0.

A coletiva de Hernán Crespo após a derrota do São Paulo contra o Mirassol teve um tom de exigência. Isso porque foi a sétima vez que o time tricolor saiu derrotado nos últimos oito confrontos. Essa má fase resultou na eliminação do Soberano nas quartas de final da CONMEBOL Libertadores e na queda para a oitava posição no Campeonato Brasileiro.
O técnico admitiu que o momento do São Paulo na temporada é “delicado” e cobrou uma autocrítica dos jogadores, embora tenha demonstrado confiança que o elenco pode reverter a decisão.
“É fazer autocrítica, todos, comissão e todos. Estamos fazendo tudo como antes? Ou todos estamos dando um pouco menos? Não muito, mas um pouco menos”, discursou o argentino.
“É um momento delicado para nós. Momento que as coisas não dão certo. Temos que fazer autocrítica, mas é confiar neste grupo. Talvez estamos perdendo esses centímetros que antes tínhamos para ser mais agressivos. Hoje, não pode conceder gol depois de um minuto. E depois dois pênaltis que concedemos. Não estamos falando nem de tática, nem de estratégia. Temos de nos comprometer a voltar a ser esse time antipático, perigoso, agressivo, respeitando a identidade”, cobrou o treinador.
“Continuo a acreditar, e confio plenamente nestes jogadores. São os mesmos que me fizeram acreditar na possibilidade de jogar a Libertadores quando cheguei e falavam só em rebaixamento. É acreditar e voltar a fazer o que fazíamos. Somos as mesmas pessoas, os mesmos atletas, a mesma comissão que voltou na temporada quando o pensamento era ruim”, completou.
Em busca da reabilitação, o São Paulo volta a campo no próximo sábado (25), contra o Bahia, às 21h30, no Morumbis.
Por Roberta Moussa
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