Com volume e entrega, o time mineiro esbarra no próprio nervosismo e sai de casa sem os pontos necessários para se afastar do Z-4
O placar terminou em 1 a 1 no Independência, mas a sensação foi de que o América poderia — e deveria — ter saído com mais. Na noite de sábado (18), o Coelho recebeu o CRB em Belo Horizonte em busca dos tão sonhados três pontos para aliviar a pressão e melhorar sua situação na tabela da SÉRIE B. O time começou bem, com intensidade, criando boas oportunidades e pressionando o adversário desde os minutos iniciais. No entanto, a velha história voltou a se repetir: em mais uma falha defensiva, o América acabou sofrendo o gol aos 19 minutos do primeiro tempo, frustrando a torcida presente na Arena acreditando em uma vitória.

Depois do susto, o América mostrou poder de reação. A equipe se reorganizou em campo, passou a trocar mais passes e retomou o controle do jogo. A recompensa veio ainda no primeiro tempo, com um belíssimo gol de Kauã Diniz, que arriscou de fora da área e acertou o ângulo, sem chances para o goleiro adversário. O garoto, que vem ganhando espaço sob o comando de Alberto Valentim, tem mostrado personalidade, regularidade e um ótimo rendimento dentro de campo — daqueles que honram a camisa que vestem e entendem o peso de representar o Coelho. O gol do empate inflamou o Independência e devolveu a esperança de uma virada que, mais uma vez, ficou só na vontade.
No segundo tempo, o América realmente entrou em campo. Foram inúmeras finalizações, cruzamentos perigosos e uma pressão constante sobre a defesa alagoana. O Coelho empurrou o CRB para o próprio campo e parecia ter o gol da virada amadurecendo a cada jogada. Mas a noite tinha outro protagonista: o goleiro adversário, em atuação inspirada, fez a partida da vida dele e parou o ataque americano em todas as tentativas. Foram defesas milagrosas que frustraram a festa da torcida e impediram que o Independência virasse um caldeirão em celebração. Restou ao torcedor reconhecer o esforço do time e lamentar, mais uma vez, os pontos que escaparam pelas mãos — ou melhor, pelas luvas — do goleiro rival.

Estando no Independência, foi impossível não perceber dois pontos que marcaram o clima nas arquibancadas. O primeiro foi a cobrança pela ausência de Miguelito, hoje o jogador mais criativo e decisivo do elenco, que por opção técnica começou a partida no banco. A cada ataque desperdiçado, crescia o coro pedindo sua entrada, num misto de impaciência e esperança vindos das cadeiras americanas. O segundo ponto foi o já conhecido alvo de críticas: Mariano. O lateral voltou a ser questionado pela torcida, especialmente no fim do jogo, quando erros de posicionamento e passes precipitados irritaram quem acompanhava o time de perto. Como já comentei em textos anteriores, o atleta parece não conseguir mais desenvolver o mesmo futebol de outrora — e a insistência em mantê-lo em campo tem custado caro a um América que precisa, urgentemente, de soluções mais ousadas.
Próximo desafio
Agora, o América volta a campo no próximo sábado (25), quando enfrenta o Athletic, em São João del-Rei, pela sequência da SÉRIE B. O duelo promete ser decisivo, e as torcidas já se organizam para invadir a cidade histórica e empurrar o time em busca dos três pontos fora de casa. Mesmo com os tropeços recentes, o sentimento continua o mesmo: o de quem acredita, apoia e segue firme ao lado do Coelho até o último minuto. Porque ser América é nunca desistir — é resistir, mesmo quando a vitória insiste em escapar.
Por Laura Assis Ferreira
*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo.