Do apoio incondicional à frustração: a paciência da torcida chegou no limite
Esse texto, na verdade, é uma carta de ódio. Estamos vendo o título da Série B do Campeonato Brasileiro escorrer das mãos do Coritiba por pura incompetência. Quem acreditava que o desempenho de 2024 havia sido o pior da história, certamente está se surpreendendo com a atuação do time liderado pelo técnico Mozart, sob a gestão de William Thomas e da Treecorp.

Por várias rodadas, o Coxa administrou tropeços sob o pretexto de que criava chances, mas pecava na finalização. Ou então, de que apesar de não vencer, ainda se mantinha entre os quatro primeiros da tabela. A torcida, precisando se agarrar em algo, comprou o discurso e acreditou na promessa de que a resposta viria “no próximo jogo”.
Até a 27ª rodada da Série B, havia gordura na tabela. Podíamos nos dar ao luxo de perder pontos dentro e fora de casa. Entretanto, o confronto contra o Criciúma colocou um ponto final nessa margem de segurança que sustentava nossa oscilação entre a liderança e a vice-liderança.
Nesta quinta-feira (25), mais de 18 mil torcedores estiveram no Couto Pereira para assistir ao pior desempenho do Coritiba na temporada. A derrota por 2 a 0 para o Criciúma foi selada ainda no primeiro tempo, em poucos minutos. O vexame superou até mesmo o jogo contra o Paysandu, que hoje briga contra o rebaixamento. Ao menos contra o Papão conseguimos marcar dois gols.
Quando não dá mais para contar com a sorte, é preciso ter competência. E ficou escancarada, nesta quinta-feira, a incapacidade do setor ofensivo e a falta de confiança do elenco montado para disputar a Série B.
Nossos atacantes estão em um jejum interminável. Os últimos gols saíram contra a Ferroviária, partida que iludiu boa parte da torcida alviverde. A pressão pela chegada de Rodrigo Rodrigues fez com que Coutinho e Iury Castilho desencantassem naquela noite, mas a alegria durou pouco: no jogo seguinte, contra o Goiás, Rodrigues saiu lesionado e o ataque voltou ao silêncio. Desde então, nenhum gol.
Dellatorre, Coutinho, Castilho, Clayson — todos têm uma coisa em comum: foram pedidos por Mozart para compor o elenco de 2025. Chegaram com bom histórico, a promessa de balançar as redes e ajudar o Verdão na luta pelo título. O resultado? Somados, marcaram apenas sete gols em 28 partidas. Para comparação, Pedro Rocha, artilheiro do Remo, já fez 12 sozinho. É um desempenho absurdo.
A essa altura, só restam três explicações: ou mentiram no currículo, ou existe alguma falha técnica estrutural, ou então o Coritiba sofre de uma maldição em que os atacantes desaprendem a jogar quando vestem a camisa. Já desenterraram sapo, alinharam chakras com feng shui… nada resolveu. Qual é, afinal, a justificativa?
E quando a liderança estava em jogo, contra o Criciúma, o roteiro do vexame se repetiu. Os dois gols do adversário saíram em bolas paradas — justamente o ponto forte que, segundo Mozart, havia sido estudado na semana de treinos. Pelo visto, o trabalho não surtiu efeito: dois zagueiros com mais de 1,90m não cumpriram a função mais básica da posição.
Além da insistência em atacantes que não fazem gols, Mozart segue preterindo Carlos De Pena, que poderia fazer a diferença em campo. Nosso técnico prefere morrer abraçado a Coutinho e Clayson — que não sabem finalizar — do que dar chance a um meia que, em uma única partida, criou quatro chances de gol. O apelido “Teimozart” não nasceu por acaso.
Mas o problema não é só técnico. O abalo psicológico é visível. Basta o adversário ter alguma vantagem que o time desmorona, como se cada ataque fosse um perigo incontrolável. É uma fragilidade mental que o torcedor sente no ar.
Depois de tantas rodadas brigando pela liderança, o Coritiba mais uma vez deixou escapar a vitória dentro do Couto Pereira. O acesso, que era obsessão declarada por Bruno D’Anconna, corre o risco de se tornar inalcançável mais uma vez, e o que dói mais: com requintes de crueldade. A torcida passou 28 rodadas sonhando com o título para, no fim, talvez ter de se contentar com um quarto lugar sofrido e disputadíssimo.
Por rodadas e rodadas, a torcida alviverde apoiou o time por mais de 90 minutos. Não há alternativa senão abraçar o time, o técnico, a comissão técnica e até a diretoria. Uma crise só vai intensificar a má fase.
O sinal de alerta, que deveria ter disparado já na goleada sofrida em casa, agora soa mais alto do que nunca no Couto Pereira. Restam dez jogos para provar que esse elenco não é apenas mais uma promessa vazia. A torcida fez a sua parte por 28 rodadas, acreditou e sonhou com o título. Agora, é a vez dos jogadores mostrarem que têm dignidade e capacidade para, no mínimo, garantir o acesso sem transformar 2025 em mais um capítulo vergonhoso da nossa história.
Por Raphaella Heinzen
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