Juventude perde para o Flamengo depois de 28 anos de invencibilidade no Jaconi
Na tarde deste domingo (14), o Juzão recebeu o Malvadão no Alfredo Jaconi, em Caxias do Sul, pela vigésima terceira rodada do Campeonato Brasileiro. Nada diferente do esperado – apesar do tabu carregado pelo Flamengo ao jogar na nossa casa -, 2×0 para os visitantes. Com dois gols pelo alto, ficou claro que apesar de ser equilibrado com a bola no pé, o Juventude ainda não resolveu o problema aéreo que carrega desde o início da temporada.

Independente de onde, perder para o Flamengo não é vergonha para ninguém. Competimos, sim, com o melhor elenco do Brasil e fomos vazados em erros individuais já conhecidos dos nossos homens do primeiro terço. Como dito por uma amiga flamenguista, levar um gol de cabeça do Arrascaeta é muita falta de atenção da defesa – e foi exatamente isso.
O atleta Wilker Ángel tem mostrado muito mais o seu valor ultimamente, contudo, ainda falha em momentos providenciais e me lembra porque eu olhava para ele com um certo gosto amargo na boca. O jogo estava equilibrado, o Flamengo não tinha desferido um chute a gol em meia hora de disputa e o Juventude estava batendo de frente com um meio campo firme que trabalhava em desfazer as jogadas dos adversários.
O problema é que, logo neste domingo, a estrela do meio-campista Saúl estava muito brilhante. Mesmo liberado para acompanhar o nascimento do filho, que aconteceu no Rio de Janeiro na manhã do último sábado (13), o camisa 8 do Mengão viajou e estava no lugar certo na hora certa para levantar uma bola perfeita na cabeça do seu capitão. Arrascaeta, do alto dos seus 1.72m, subiu mais alto que qualquer defensor alviverde e cravou o seu. Pois é, parece que toda semana tem gol desse nanico, dessa vez, de cabeça.
Os donos da casa tentaram resistir e pelo menos igualar o placar, mas não veio aí. Enquanto a Papada dava show nas arquibancadas, Gabriel Taliari chutava nas mãos de Rossi, Nenê e Alan Ruschel levantavam na área para ninguém e, mais para frente, Gabriel Veron arriscava no travessão.

Além das diversas tentativas frustradas de empatar, meu goleirão fazia o possível para manter as coisas iguais aos 30’ do primeiro tempo. Jandrei defendeu de tudo que é jeito as investidas intensas do Malvadão. Claro que Pedro, o camisa 9 dos visitantes, que jogava praticamente sozinho lá na frente, ajudou muito não sabendo como se posicionar na pequena área ou denunciando a falta de checagem de oftalmo, não reconhecendo os limites da meta. Além dele, Samuel Lino ajudava demais, desistindo de jogadas para simular faltas que não ocorreram ou mesmo para exagerar faltas que já tinham sido concedidas. Que jogador insuportável, gurizada!
O Juventude foi guerreiro, mas parece que a onda de acabar com tabus segue quebrando e molhando o Rubro-Negro carioca. Se já não estávamos conseguindo marcar com nosso 10 em campo, a sua saída aos 16 minutos do segundo tempo deixou tudo ainda mais improvável. No último quarto do jogo, ignorando a deficiência de criação que a substituição de Nenê gerou, o Juzão se postava mais no ataque, batalhando bola e brigando pela chance de, pelo menos, arrancar um pontinho daquela partida.
Há quem diga que o Flamengo dá seu último respiro dos 35 aos 40 minutos, o que se mostrou errado no jogo deste domingo já que, aos 42’, Emerson Royal subiu, mais uma vez, mais que todo mundo e cabeceou no cantinho, sem chance para o meu milagreiro. E para quem diz que o Flamengo morre no final do jogo, tudo bem errar. Teve gente que, logo antes do Flamengo x Vitória, disse que o Rubro-Negro não goleia. Fazer o quê?
Perder é sempre ruim. Perder em casa, defendendo um tabu de mais de 25 anos é horroroso. Contudo, bater de frente com o Flamengo e ver o empate escapar por erros pontuais e não por uma completa confusão armada por um pardal na casamata é, na realidade, uma evolução.
É sobre vencer as batalhas possíveis, perder o que podemos perder e batalhar por absolutamente todos os minutos que nos são dados em campo. Não existe perder antes do apito final, mas existe aprender com as derrotas.
O Juventude volta a disputar partidas pelo Brasileirão no domingo (21), contra o Mirassol, na casa deles, e precisa descontar o roubo descarado que aconteceu no domingo de páscoa no turno. Vamos JUntos!
Por Luiza Corrêa
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