Cabulosas fazem história e chegam à primeira final do Brasileirão Feminino
O Corinthians escreveu mais uma vez seu nome na história do futebol feminino brasileiro. Na manhã de domingo (14), diante de 41.130 vozes apaixonadas na Neo Química Arena, as Brabas venceram as Cabulosas por 1 a 0, com gol decisivo de Thaís Ferreira, e garantiram o sétimo título do Brasileirão Feminino, sendo o sexto consecutivo, um domínio que beirava o inimaginável.

O gol saiu na raça e no detalhe: Duda Sampaio arriscou de fora, Camila Rodrigues defendeu no reflexo, mas a bola sobrou para Thaís, que, fria e precisa, empurrou para as redes. O 3 a 2 no agregado fez explodir a Fiel em um mar de bandeiras e cânticos que ecoaram pelo estádio inteiro.
Mas para as Cabulosas, a caminhada teve sabor de conquista. Mesmo sem levantar a taça, o Cruzeiro escreveu um capítulo histórico ao chegar, pela primeira vez, a uma final de Campeonato Brasileiro Feminino. A equipe mineira enfrentou gigantes, superou adversidades e mostrou uma evolução que encantou sua torcida ao longo da campanha.
O feito ganhou ainda mais peso pelo contexto, em poucos anos de projeto, o Cruzeiro conseguiu transformar sonho em realidade, desafiando equipes tradicionais e estabelecidas. Contra o Corinthians, as Cabulosas não se intimidaram, brigaram até o último lance e ficaram a apenas um gol de levar a decisão para os pênaltis.
A derrota na final, portanto, não apagou o brilho da jornada. Pelo contrário, serviu como prova de que o clube estava pronto para se consolidar entre as grandes forças do futebol feminino no país. Para as jogadoras, foi a experiência que fortaleceu; para a torcida, o orgulho de ver a camisa azul brilhar em um palco tão grandioso.
Primeiro tempo: Equilíbrio na Neo Química Arena
O primeiro tempo da grande final entre Corinthians e Cruzeiro foi marcado por intensidade, nervos à flor da pele e muita disputa pela posse de bola.
Com a Neo Química Arena lotada, o apito inicial trouxe o esperado cenário, as Brabas buscaram o jogo ofensivo desde os primeiros minutos, enquanto as Cabulosas se defenderam com disciplina e tentaram surpreender nos contra-ataques.
O Corinthians, embalado pelo apoio da torcida, teve mais controle da bola, alcançando 65% de posse em boa parte da etapa e rondou a área cruzeirense diversas vezes.
Logo no início, Ingrid Johnson e Gabi Zanotti levaram perigo, mas a defesa mineira conseguiu neutralizar as investidas. Do outro lado, o Cruzeiro mostrou sua força em lances pontuais, como o chute de Gaby Soares que explodiu no travessão, levando o coração da Fiel ao limite da aflição.
As faltas e interrupções também deram o tom da partida, travando o ritmo e esquentando o clima dentro de campo. Deborah Cecília, a árbitra da final, distribuiu cartões e precisou manter o controle de um jogo que, por vezes, ficou truncado. Camila Rodrigues, goleira do Cruzeiro, foi fundamental em intervenções seguras, especialmente quando Andressa Alves tentou desequilibrar com bolas paradas.
Na reta final, o Corinthians ainda buscou aumentar a pressão, mas pecou na pontaria, foram várias finalizações, nenhuma delas no alvo. Já o Cruzeiro, mesmo com menor posse de bola, conseguiu encaixar uma chegada perigosa e exigiu a única defesa real da primeira etapa.
O 0 a 0 parcial refletiu bem o que foi o duelo até ali: equilíbrio entre o volume ofensivo das Brabas e a solidez defensiva das Cabulosas. A decisão seguia em aberto, e a segunda etapa prometia ainda mais emoção, pois qualquer detalhe poderia definir a campeã do Brasileirão Feminino.

Segundo tempo: Brabas Confirmam a Coroa
O segundo tempo da grande final foi uma verdadeira montanha-russa de emoções, carregada de tensão, coração acelerado e lances que pararam a respiração de torcedores de Corinthians e Cruzeiro.
Se a primeira etapa havia sido marcada pelo equilíbrio, a volta do intervalo mostrou um Corinthians mais agressivo, determinado a transformar a posse de bola em vantagem real no placar.
Nos primeiros minutos, Camila Rodrigues precisou brilhar com defesas seguras, evitando que a pressão inicial das Brabas se transformasse em festa precoce na Arena. Mas, aos sete minutos, o muro mineiro cedeu, Duda Sampaio arriscou de fora, Camila espalmou, mas no rebote, Thaís Ferreira apareceu livre para empurrar para as redes e abrir o marcador.
Explosão da Fiel! O 1 a 0 colocou o Corinthians em vantagem no agregado por 3 a 2 e obrigou as Cabulosas a mudarem sua postura.
Atrás no placar, o Cruzeiro mexeu no time e passou a tentar jogar mais alto, apostando em Letícia Moreno e Vanessa para dar novo fôlego ao ataque. Ainda assim, as mineiras encontraram dificuldade em furar a defesa corinthiana, bem postada e firme nas divididas. O jogo ganhou intensidade, com mais faltas, cartões e paralisações. Tamires foi amarelada, mas manteve sua liderança dentro de campo, conduzindo o time paulista com segurança.
As Brabas seguiram insistindo, criando chances com Gi Fernandes e Érika, enquanto as Cabulosas buscavam acelerar pelos lados em tentativas de cruzamentos perigosos.
O relógio parecia correr contra as visitantes, que mesmo com menor posse de bola, encontraram espaços na reta final para levar perigo. Belinha arriscou uma bicicleta dentro da área e assustou, mas não conseguiu colocar a bola no alvo. Já no último lance, Letícia Moreno teve a bola do empate nos pés, sozinha, dentro da pequena área, chutou de primeira para fora, desperdiçando a grande chance de levar a decisão para os pênaltis.
O apito final decretou o título das Brabas, que novamente ergueram a taça do Campeonato Brasileiro Feminino diante de sua torcida. O Cruzeiro, valente e competitivo até o último segundo, saiu de cabeça erguida após uma campanha histórica. Naquela manhã na Neo Química Arena, a festa foi corinthiana, emoção, lágrimas e gritos ecoando no estádio para celebrar mais um capítulo glorioso da história alvinegra.
Por Mury Kathellen
*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo*