Tudo igual em Minas Gerais


Cabulosas seguram o Corinthians e levam a decisão para o jogo de volta

Na manhã de domingo, 7 de setembro, às 10h30, tive o privilégio de acompanhar de perto o duelo das Cabulosas contra o Corinthians, na Arena Independência, em Belo Horizonte. O confronto terminou em 2 a 2 e deixou tudo em aberto para o jogo de volta em São Paulo.

Foto: Mury Kathellen- Arena Independência

A partida de ida foi um espetáculo à parte: cheia de emoções, reviravoltas e momentos que mostraram por que o Cruzeiro Feminino é gigante.

As Cabulosas jogaram com alma e, fora das quatro linhas, a torcida deu show. Mais de 19 mil cruzeirenses estiveram presentes, marcando um recorde de público e provando que o céu estrelado da Nação Azul continua brilhando intensamente.

Primeiro Tempo de Emoções: Cabulosas Responderam à Altura no Independência

O apito inicial no Independência trouxe consigo uma promessa: nada seria fácil.Logo aos três minutos, o Corinthians mostrou a que veio. Duda Sampaio arriscou de fora da área e obrigou Camila Rodrigues a uma defesa espetacular, espalmando por cima. Era o início de uma manhã intensa.

E não demorou para o marcador ser aberto. Aos sete, Jaqueline Ribeiro avançou pela ponta-direita e cruzou na medida para Gi Fernandes, que finalizou com categoria no canto: 1 a 0 para o Timão. O golpe foi duro, mas as Cabulosas não se abateram.

O Cruzeiro tentou responder em arremates de Victória Albuquerque e Byanca Brasil, mas as investidas ainda encontravam dificuldades diante da marcação adversária. A cada ataque corintiano, Camila Rodrigues mostrava porque era gigante: segura nas bolas aéreas, firme nos chutes de fora da área e decisiva nas saídas do gol.

O clima de decisão, porém, não perdoava deslizes. Aos 16, Byanca Brasil cruzou da direita, Paloma desviou, e na sequência Tamires afastou o perigo. Pouco depois, o susto veio com Vanessa, que quase ampliou em sobra de bola dentro da área.

O gol de empate, tão sonhado pela torcida celeste, nasceu aos 32 minutos. Após cruzamento preciso de Byanca Brasil pela esquerda, a goleira Nicole saiu mal e a zagueira Marília apareceu como centroavante para testar firme para as redes: tudo igual, 1 a 1. O Independência explodiu em azul celeste.

O jogo, equilibrado e intenso, seguiu em ritmo alucinante até os acréscimos. Nicole ainda precisou trabalhar em finalizações de Belinha e Vanessa, enquanto Camila Rodrigues, heroína do primeiro tempo, segurou uma bicicleta de Gabi Zanotti e um chute cruzado de Jaqueline.

Foram 51 minutos de pura adrenalina, com gols, defesas incríveis e a sensação de que a decisão ainda guardava muito mais emoção.

Foto: Gustavo Martins/ Cruzeiro

Segundo Tempo: Corações à Flor da Pele

Se o primeiro tempo já havia sido um teste para os nervos da torcida mineira, o segundo foi ainda mais eletrizante. O Cruzeiro voltou dos vestiários com intensidade, mas encontrou um Corinthians organizado, que soube explorar os espaços com a experiência de suas jogadoras.

Logo no início, as duas equipes trocaram investidas, mas a arbitragem também entrou em cena: impedimentos para os dois lados frearam lances promissores, enquanto Camila Rodrigues e Nicole Ramos se mantinham atentas debaixo das traves.

O Timão conseguiu ser mais efetivo. Aos 31 minutos, Tamires cruzou da esquerda e Gabi Zanotti, sempre decisiva, apareceu livre para empurrar de primeira para o gol. O VAR revisou o lance, mas confirmou: 2 a 1 para as visitantes, e o silêncio tomou conta por alguns instantes do Independência.

Mas se o Corinthians tinha experiência, as Cabulosas tinham coração. Empurradas por mais de 19 mil vozes azuis, o Cruzeiro não se entregou. A pressão cresceu, os escanteios se multiplicaram, e Nicole Ramos teve trabalho. Até que, aos 35 minutos, veio a explosão: Gaby Soares cruzou com precisão e Belinha desviou de cabeça no canto direito, decretando o empate em 2 a 2. Um gol com a marca da superação, que incendiou o estádio.

Os minutos finais foram uma batalha de nervos. Faltas duras, cartões amarelos e bolas levantadas na área mantiveram a tensão até os 57 minutos, quando o apito final confirmou que as Cabulosas estavam vivas na decisão.

No Independência, ficou a sensação de que nada estava definido. O empate em 2 a 2 levou a disputa aberta para São Paulo, mas mostrou a essência deste time: um Cruzeiro que não se dobrava, que lutava até o último segundo e que fazia sua torcida acreditar.

Próximo desafio

O duelo decisivo já tem palco e hora marcada: no domingo, 14 de setembro, às 10h30, Corinthians e Cruzeiro se enfrentam na Neo Química Arena, em São Paulo, pelo jogo de volta da final do Campeonato Brasileiro Feminino.

Por Mury Kathellen

*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo*


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