Missão acesso: é a hora da verdade, que venha o jogo do ano!


No palco das grandes emoções, América e Santa Cruz decidem última vaga da Série C

Há partidas que são apenas noventa minutos de futebol. Outras, ultrapassam as linhas do campo e se tornam capítulos de uma história. Neste domingo (7), às 19h, a Casa de Apostas Arena das Dunas será palco de mais um desses espetáculos que valem por uma vida inteira: América de Natal e Santa Cruz-PE, frente a frente, disputam a última vaga da Série C em jogo de volta pelas quartas de final da Série D do Brasileirão.

Edmário de Oliveira

Há quem não entenda o peso de uma partida como essa. Talvez aqueles que nunca precisaram passar por um mata-mata, onde quem perde realmente morre, não compreendam o verdadeiro significado da expressão. A Série D, nos moldes atuais, conta inicialmente com 64 times. Deles, apenas quatro conseguem o acesso à divisão superior. Os demais times são basicamente rebaixados – não há garantia de disputa do nacional para eles. O Treze-PB, por exemplo, não conseguiu o acesso e não tem calendário nacional em 2026.

Por isso essa partida é a mais importante do ano para o Mecão, que chega com o peso da desvantagem. No jogo de ida, realizado no sábado (30), na Arena de Pernambuco, o Alvirrubro foi derrotado pelo Santa Cruz por 1 a 0, o que deixou o time pernambucano com a vantagem do empate, mas, mais do que ninguém, o torcedor americano sabe que a luta só termina no apito final. Quantos títulos, quantas reviravoltas, acessos e resultados importantes não foram conquistados, literalmente, aos 45 do segundo tempo? O América aprendeu, em sua longa jornada, que reverter desvantagens é parte do seu DNA.

Para avançar no tempo normal, o Orgulho do RN precisa vencer por dois gols de diferença. Uma vitória simples leva a decisão para os pênaltis. A confiança do torcedor está alicerçada em números e memória. Na Arena das Dunas, o Mecão ainda não perdeu na competição: foram nove jogos, com seis vitórias e três empates, embora empate não seja uma opção. 

Vale lembrar que em 2022 o acesso também foi conquistado em Natal, após uma desvantagem semelhante, embalado por um ambiente que promete se repetir neste domingo: mais de 28 mil ingressos já foram vendidos. Há promessa de corredor de fogo para receber o time no estádio, mosaico especial e o famoso e saudoso “céu de Bagdá”. 

Contra o Caxias, em 2022, conseguimos reverter um resultado ainda pior: aos 14 minutos do segundo tempo, o time gaúcho fez um gol, levando o resultado agregado para 2 a 0 contra o América. Em pouco mais de 30 minutos, empurrado pela torcida, que gritava “eu acredito” a plenos pulmões, o Mecão conseguiu fazer 3 gols, o último deles com 3 minutos de acréscimo. Com o 12° jogador nas arquibancadas, o Alvirrubro pode muito mais. 

No campo, o time de Gerson Gusmão aposta na força coletiva e na experiência. Souza, maestro do meio-campo, segue como referência técnica, capaz de decidir em uma bola parada. Hebert e Salatiel, peças fundamentais no ataque, carregam a missão de calibrar o pé e converter os gols. Na defesa, o desafio é neutralizar as investidas do Santa Cruz, que vem com um Thiago Galhardo faminto para fazer valer, mais uma vez, a lei do ex.

O América tem desfalques importantes: Davi Gabriel, cujo contrato foi rescindido após ser vendido ao Criciúma, Henrique, Romarinho, Rafael Jansen e Heitor, por problemas médicos, e Dudu, suspenso com o terceiro cartão amarelo. No lugar de Davi, Rennan Siqueira deve ocupar a lateral esquerda. A dúvida que resta é: quem será o substituto de Dudu? No jogo de ida, após receber o cartão amarelo, o meio campista foi substituído por Thiaguinho, que voltou a ser relacionado. Talvez o atacante seja a opção utilizada por Gerson Gusmão na vaga.

Desta forma, o Mecão deve vir a campo com uma escalação mais ou menos assim: Renan Bragança; Ricardo Luz, Guilherme Paraíba, Lucas Rodrigues e Rennan Siqueira; Ferreira, Souza, Aruá; Thiaguinho, Salatiel e Hebert

Do outro lado, o Santa Cruz chega com vantagem e com moral, após a vitória em Recife, mas sem espaço para euforia. O técnico Marcelo Cabo tratou de baixar a temperatura: “Isso aqui é o intervalo de um jogo que dura oito dias. Não ganhamos nada ainda. É um clássico e temos muito respeito pelo América”.

Neste domingo, o Mecão, como tantas vezes já fez, irá transformar a força alvirrubra em combustível para conquistar mais um acesso. Agora, mais do que nunca, VAMOS SUBIR, MECÃO!

Por Carmen Gabrielli

*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo


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