Pelo nosso verde, pelas listras verticais e com o Carpininsmo


Invicto, Thiago Carpini leva seu time a campo contra o Botafogo pela 21ª rodada do Brasileirão

Às 18h30 deste domingo (24), o Juventude recebe o Botafogo no estádio Alfredo Jaconi, em Caxias do Sul, na reedição do jogo de estreia do Juzão pelo Campeonato Brasileiro deste ano. Na última semana, estatísticas sobre a casa jaconera inundaram as redes sociais e, é claro, que eu vou trazê-las aqui. Desde 2009 o Juventude não perde em casa para um time carioca – o último a conseguir tal feito foi o Vasco. Sendo assim, desde 1996 o Botafogo não ganha do Papão como visitante e esperamos que neste jogo o tabu seja mantido. 

(Crédito: Porthus Junior/RBS)

Além de manter o tabu, precisamos dessa vitória para aproveitar a chance de escapar do Z4 – chance essa que não vem há tempos. Em uma possível vitória do Juzão em cima do Botafogo, precisamos que o Flamengo bata ou empate com o Vitória no Maracanã, o que é esperado, e que o Corinthians supere o São Januário e saia com pelo menos um ponto do jogo contra o Vasco. Com essa combinação de resultados, poderemos respirar um ar limpo pela primeira vez desde o dia 10 de maio.

Seguindo a linha de abrirmos o placar contra o Vasco com um gol do ex-cruzmaltino Nenê, para a partida contra o Botafogo temos um ex-glorioso pronto para ajudar a equipe a conseguir uma vitória importantíssima. Matheus Babi expressou, em entrevista ao GZH, seu grande apreço pelo Botafogo e comentou que seria muito especial marcar contra o ex-time, porém deixou claro que o mais importante é fazer um grande jogo. E ele está correto. Se todos puderem marcar, ótimo, mas o mais imprescindível é manter o coletivo que marca o trabalho de Carpini no comando do Juventude. 

O engajamento do grupo não parecia estar no máximo de aproveitamento nas mãos dos treinadores anteriores, contudo Carpini tem seu elenco na mão o suficiente para que todos consigam se enxergar e incentivar uns aos outros. Independente da formação escolhida por ele para iniciar o jogo, o professor deve saber como integrar os novos, os retornos e mesmo quem está no DM para que todos estejam em sintonia. E, na minha opinião, este é o real “dedo do Carpini” que diferencia o seu comando de todos os outros. 

Enquanto Nenê amargava sua camisa 10 no banco sob os olhos de Fábio Matias e Claudio Tencati, apenas entrando para apagar fogaréus quando o jogo já estava perdido, Thiago Carpini entende que mais do que talentoso, o Vovô Garoto é uma peça de comando fundamental. Quando o meia está em campo, temos o jogador mais velho a marcar em um jogo de Brasileirão correndo como se fosse um dos meninos da Gurizada Jaconera. Nenê defende o manto alviverde e as listras verticais como se fossem tatuagens em seu peito e o mínimo que o clube pode fazer para recompensá-lo é mantê-lo em campo o tempo que ele conseguir ficar. 

A presença de Nenê foi decisiva em todos os jogos sob o comando de Carpini. Contra o Corinthians, fez a jogada que entregou a Matheus Babi seu segundo gol desde a chegada ao Juventude em sua primeira participação. Contra o Vitória, mostrou a sua categoria e a sua frieza na hora de empatar o jogo com um gol de pênalti como poucos camisas 10 têm a consciência de cobrar. Sem enfeitar, meteu firme e concentrado, entendendo que neste momento e nesta posição na tabela, nenhum gol é só um gol. Contra o Vasco, a mesma tônica. Cobrou uma penalidade ainda frio, antes do primeiro minuto fechado, e converteu para impulsionar a vitória. 

Seguindo a mesma linha de trabalho coletivo calcado em alguns focos de liderança, Carpini precisará mexer na defesa desta vez. No último jogo, Abner recebeu o terceiro cartão amarelo e cumprirá suspensão contra o Glorioso. Sim, existe a possibilidade de Cipriano voltar aos 11 iniciais, contudo, para a nossa sorte, o Fluminense e o Paysandu fecharam acordo para que o atleta tricolor Luan Freitas desembarcasse em Caxias. Pensa, professor, por favor. 

Ainda com o departamento médico cheio de atletas com algum tipo de lesão nas coxas, a boa notícia é que Gilberto foi liberado para treinar com bola. Mesmo assim, é improvável que o centroavante chegue a pisar no gramado contra o Botafogo. 

(Crédito: Fernando Alves/ECJ)

Para enfrentar o Glorioso recém eliminado da Libertadores pelo medianíssimo time da LDU, o Juventude deve apostar nas novidades e na vitalidade de alguns de seus jogadores. Os 11 que devem iniciar a correria de manter o tabu em casa são: Jandrei; Reginaldo (Formiga), Cipriano (Luan Freitas), Wilker Ángel e Marcelo Hermes; Caíque, Jadson e Mandaca; Batalla, Gabriel Taliari e Matheus Babi (Nenê). 

Baseado no poder de ataque de Matheus Babi e Nenê, o Juventude não deve se esconder em um sistema defensivo. Jogaremos em casa e jogaremos mostrando quem manda nesses gramados. Como já disse também ao GZH, Nenê entende que sua experiência ajuda em jogos mais decisivos como este, porém tem total noção de que a idade não é o que vale. O que vale é a determinação, os treinamentos, a disciplina e o amor pelo que você faz. 

Diferente de muitos que usam clubes do sul como um simples trampolim para jogar no sudeste, nosso elenco atual não está de passagem pelo Alfredo Jaconi. A posição na tabela é desconfortável, porém momentos difíceis criam ligas intensas. O que é mais importante: ser mais um desimportante em um elenco que venceria o campeonato com ou sem ti ou ser o homem que decide a estadia e a sobrevivência de um time que precisa dele? Eu tenho a minha resposta e eu sei qual deles Nenê quer ser. Mais do que isso, eu tenho certeza em qual deles Thiago Carpini quer transformar todos os seus comandados. 

Se eu pudesse pedir alguma coisa aos jogadores neste jogo, seria que lembrassem de todos os elencos que desde 1996 pararam o Botafogo dentro das nossas quatro linhas. Pensem nos 29 anos nos quais a Estrela Solitária não é gloriosa em Caxias do Sul. Pensem que este time desmontado e afundado em dívidas que enfrentaremos em casa nos cedeu, dentro do Maracanã, o título mais importante da nossa história. Pensem em todos que vieram antes, os que estão aqui agora e os que ouvirão as histórias sobre o altar destruidor de cariocas no futuro. 

Quando o jogo parecer difícil, lembrem-se das palavras que a torcida berra no alambrado: eu não sei como eu vou, eu não sei como eu venho, só sei que não posso parar. Nós não podemos parar!

Por Luiza Corrêa

*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo.


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