Inter é derrotado novamente para o Flamengo e dá adeus à Libertadores
O sonho de conquistar a Copa Libertadores da América virou pesadelo para o Internacional na noite desta quarta-feira (20), no Beira Rio. Em uma partida decisiva pelas oitavas de final, o Colorado foi superado pelo Flamengo por 2 a 0, um resultado que não apenas confirmou a superioridade do adversário no confronto de ida e volta (3 a 0 no agregado), mas também escancarou os problemas que têm assombrado o clube gaúcho na temporada. O que se viu foi a desorganização em campo e a impotência de um time que, em momentos cruciais, simplesmente não conseguiu responder à altura.

O clima pré-jogo já indicava que a noite seria atípica. A tradicional e empolgante chuva de papel picado da torcida colorada, que buscava criar um ambiente de pressão e apoio, ironicamente se transformou em um obstáculo. A grande quantidade de papel no gramado causou um atraso de mais de 20 minutos no início da partida, forçando funcionários do clube a entrar em campo com vassouras e redes para limpar o campo. O entusiasmo das arquibancadas, porém, não encontrou eco no time.
Desde o apito inicial, o Internacional de Roger Machado parecia perdido. A posse de bola, que deveria ser a arma principal, se mostrou estéril. As trocas de passes laterais e a falta de profundidade no ataque eram um convite para a defesa bem postada do Flamengo. O time carioca, sob a batuta de Filipe Luís, demonstrou uma maturidade tática impressionante. Se defendeu com solidez, esperando pacientemente as falhas do adversário.
A falha inevitavelmente veio. Aos 27 minutos do primeiro tempo, em um lance que resumiu a fragilidade do Inter, o lateral Ayrton Lucas avançou pela esquerda e serviu Samuel Lino. O chute do atacante do Flamengo não foi forte, mas a falha primária do goleiro Rochet, que soltou a bola nos pés do experiente Arrascaeta, resultou no primeiro gol. O uruguaio, que não havia jogado na primeira partida, estava no lugar certo, na hora certa, e apenas teve o trabalho de chutar para o fundo das redes. Foi um balde de água fria na torcida e um golpe duro no moral da equipe.
No segundo tempo, a necessidade de reverter o placar forçou o Inter a sair mais para o jogo. As mudanças feitas pelo técnico Roger Machado com as entradas de Borré, Wanderson e Vitinho deram mais agressividade ao ataque, mas a falta de criatividade no meio-campo e a dificuldade de furar o bloqueio do Flamengo persistiram. A grande chance do Colorado veio com Borré que, após uma bela jogada individual, acertou a trave, um dos poucos lances de perigo real criados pela equipe.
O Flamengo, por sua vez, soube administrar a vantagem com inteligência. Recuou suas linhas e explorou os espaços cedidos pelo Inter. O golpe final veio aos 43 minutos da segunda etapa, quando o time carioca, em um contra-ataque mortal, liquidou a fatura. Léo Pereira serviu Pedro com um passe preciso, e o centroavante, com a frieza de um artilheiro, tocou para o gol, selando o placar em 2 a 0.
A derrota no Beira Rio não é apenas uma eliminação precoce na Libertadores, mas um sinal de alerta grave para o clube. A campanha, que começou com esperança, terminou de forma dolorosa e decepcionante. O que a torcida viu foi um time sem capacidade de reação, com falhas individuais e coletivas em momentos cruciais, e a nítida sensação de que o Inter está longe do patamar que sua história exige. A pressão sobre a diretoria e a comissão técnica agora é gigantesca, pois é preciso encontrar respostas para evitar que a temporada se torne um completo desastre.
Por Larissa Ferreira
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