O bom filho à casa torna


Juventude quebra jejum de quatro jogos sem vencer na estreia de Thiago Carpini

Na noite fria desta segunda-feira (11), o Papão recebeu o Corinthians no Alfredo Jaconi a plenos 8ºC, pela 19ª rodada do Campeonato Brasileiro. Tudo deu errado para o Timão… Que bom que nós não somos eles! 

Enquanto para o time paulista o jogo foi de decepção, falta de atenção e uma expulsão completamente desnecessária, para o Juzão foi o momento de reencontrar uma energia há muito perdida. O placar de 2×1 para o alviverde marcou o reencontro com Thiago Carpini e o reencontro com as vitórias que não vinham desde o jogo contra o Sport – já que, diferente de alguns, nós conseguimos abater o Leão. 

Crédito: Fernando Alves/ECJ

Nós sabíamos que os números com o Jaconi do nosso lado eram equilibrados. Sabíamos também que Thiago Carpini é o cara para se chamar caso precise ganhar do Corinthians em uma situação difícil. Contudo, nem nos meus melhores sonhos, eu imaginei acabar o primeiro tempo chamando o Timão de “timinho”, nem chegar aos 30 e poucos minutos da etapa complementar com a Papada gritando “olé” para os adversários. Que noite, minhas amigas!

É enlouquecedor assistir aos mesmos jogadores que vínhamos acompanhando renderem o que renderam esta noite. Eu me sinto enganada. É como se Carpini tivesse vendido todos aqueles atletas cansados e sem fôlego que foram treinados por Matias e Tencati e renovado o elenco, mas todas as camisas seguem com os mesmos nomes e números. Me expliquem: COMO? Eu não sei e, honestamente, não importa. O importante é que renderam. O maior reforço? O toque de um treinador experiente que sabe o que está fazendo e que confia no seu grupo o suficiente para que eles confiem também.

Gabriel Taliari foi outro. Estava à vontade, se movimentando leve, podendo estar em todos os lugares que era necessário, sem qualquer tipo de dificuldade. O homem foi um meia primoroso e um atacante afiado quando isso foi pedido dele. Jadson e Mandaca então… Nem se fala! Eu nem lembro qual havia sido a última vez que o meio do Juventude estava tão fluído e firme na marcação. Claro que o ataque frouxo do Corinthians ajudou, mesmo assim, nossos meio-campistas sabiam exatamente o que fazer. Como me disse um amigo corintiano: melhor jogo do camisa 44 em anos. 

O jogo começou sem um domínio propriamente dito, porém, já estava claro que o Juventude se aproveitaria de toda e qualquer falha da defesa adversária para criar espaços. Para a nossa sorte, as falhas foram muitas. André Ramalho, por exemplo, parecia vestir a nossa belíssima terceira camisa por baixo do uniforme alvinegro. No nosso campo de defesa, Yuri Alberto estava anulado e nenhuma bola passava do meio campo sem ser tocada por algum meia jaconero. 

Pela primeira vez em muito tempo, conseguimos trocar ótimos passes, construindo jogadas bem trabalhadas e levando a bola com precisão da defesa até o ataque. A construção era boa, entretanto, faltava carinho no último chute. Foram várias tentativas até que aquela coreografia terminasse em gol aos 27 minutos.

Jadson achou o lateral Marcelo Hermes em profundidade. O camisa 22 tentou um primeiro cruzamento, mas foi cortado. Por sorte do destino, a bola voltou aos seus pés e ele acreditou na jogada que vinha fazendo. Com a segunda chance concedida, Hermes alçou a bola na área para que ela encontrasse a cabeça de um Gabriel Taliari que enfrentava quatro meses de jejum de gols. E, note… Enfrentava. No passado. Taliari testou a bola em direção às redes, sem deixar qualquer chance para que Hugo pudesse reagir. Quatro meses sem marcar, interrompidos no primeiro jogo de Thiago Carpini. Se um dia guardei rancor pela tua saída, eu não consigo lembrar, professor. 

Claro que pudemos contar com a falta de atenção dos defensores corintianos. Um agradecimento especial a Breno Bidon, que deixou Hermes sozinho para poder armar a jogada como quisesse, e a André Ramalho que deixou todo espaço do mundo para que os atacantes jaconeros estivessem bem posicionados dentro da área, atraindo a atenção de outros jogadores e liberando Taliari para pular praticamente sozinho. 

Depois disso, o Papão mostrou quem manda no Jaconi. Jogando junto da torcida – que entoava cânticos de “timinho” ao time adversário -, o Juventude até criou, mas não conseguiu ampliar o placar. Do outro lado, os visitantes estavam trabalhando uma reconstrução defensiva, mas nenhuma pressão saía dali, o que ficou muito claro pelo número de faltas cometidas pelos donos da casa ser muito superior ao do time que deveria estar se defendendo. 

O segundo tempo até permitiu que o Corinthians trabalhasse mais com a bola no pé, contudo, eles ainda encontravam muita dificuldade de passar do meio campo com um lance limpo. Aos 17 minutos, Garro levantou para que Talles Magno cabeceasse para fora, marcando o primeiro “uh!” da torcida alvinegra. 

Como bom treinador de time gaúcho, Carpini sabia que aquele era o momento de administrar um resultado que há tempos não víamos. Pode-se chamar de estratégia de “cagão”, mas ela funciona muito que bem quando bem aplicada por um técnico que sabe ser conservador, só que sem medo de ousar quando o jogo pede. 

Estressados por estarem completamente anulados, os jogadores do Corinthians decidiram que qualquer coisa seria motivo para reclamação. Uma respirada mais forte no cangote de um deles já causava um berreiro em volta do árbitro, o que rendeu até um amarelo a Cacá, que estava no banco e não vai poder jogar o próximo jogo. 

A reclamação interminável se juntou a um jogo mais quente e físico, que desgastou um pouco mais os jogadores jaconeros. Taliari estava ouvindo há 15 minutos que jogaria só mais cinco e não aguentava mais. Vendo isso, foi a hora de mexer dos dois lados. Pelo Corinthians, saíram Raniele e Talles Magno para a entrada de Charles e Romero. Pelo Juzão, saíram Veron e Taliari – finalmente – para a entrada de Nenê e Matheus Babi. E aí que a mágica foi feita.

Com apenas um minuto de chuteira no gramado, meu camisa 10 colocou o Corinthians pra dançar. O Vovô Garoto deitou e rolou com o meio campo, mostrando toda a sua criatividade adquirida pela experiência. Jogando pela direita, Nenê deixou Matheuzinho na saudade e levou a pelota até a linha de fundo. Então, encontrou Babi infiltrando pelo centro da área e lançou para ele. Meu camisa 17 nem tentou limpar a jogada, só meteu um pivô muito certeiro, e finalizou direto nas redes. O bandeirinha até tentou anular por impedimento, mas o VAR confirmou a jogada legal. Dois minutos da dupla em campo e 2×0 no placar.

Crédito: Fernando Alves/ECJ

O desespero tomava conta das ações do visitante. A cada segundo que passava, o número de reclamações aumentava. Apenas três minutos depois do gol de Babi, Romero deixou seus pensamentos intrusivos vencerem e peitou as costas de um dos meus jogadores, lançando ele ao chão. Mais uma vez, o VAR chamou, mas dessa vez para expulsar o atacante corintiano. Tem dia que é noite na vida de muita gente, né, Corinthians?

Assim, com a partida já meio caminho andado para estar decidida, os defensores do Juventude começaram a ficar um pouco mais descuidados – talvez se compadecendo com a situação chata do rival. Após uma falta marcada próxima ao vértice esquerdo da área, Garro e Matheuzinho se aproximaram da bola. O goleiro Ruan ficou esperando que o camisa 8 cobrasse com a canhota, mas Matheuzinho se apresentou e finalizou direto para dentro da meta. 2×1 e algum respiro para o Corinthians. 

Dorival já estava enlouquecido na casamata e praticamente apelou para um 0-0-11, promovendo a entrada de Gui Negão e ficando com apenas um zagueiro em campo. Deu certo? Claro que não. A noite era do Papão e nenhuma medida extrema para essa situação desesperada mudaria isso. Nem os sete minutos de acréscimo e a pressão intensa que o Timão fez ao final do jogo foram o suficiente para que Yuri Alberto decidisse que era uma boa olhar para o gol antes de finalizar de qualquer jeito, mandando a bola grosseiramente pela esquerda das traves no último lance. 

No final das contas, a verdade é só uma. O Carpini nasceu para o Ju e as nossas almas em festa saúdam a volta dele. Com esse casamento tão próspero de volta, vai ter muito sudestino chorando a brisa gostosa que encurrala time marrento dentro do Alfredo Jaconi. Não adianta querer falar mais do gol de falta de quem perdeu do que do jogo incrível que os vencedores fizeram, mídia do eixo, a gente sabe o que importa mais no mundo real. 

Por Luiza Corrêa

*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo.


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