Em um jogo apático, em campo tenebroso e arbitragem quase amadora, o América de Natal volta para casa com um empate em 1 a 1 contra a Juazeirense
Iniciada a segunda fase da Série D do Campeonato Brasileiro, o América de Natal enfrentou a Juazeirense-BA pelo jogo de ida do primeiro mata-mata da competição. A partida teve início às 16h, deste domingo (03), no Estádio Adauto Moraes. O jogo foi equilibrado, com generosas doses de tensão, mas o Mecão conseguiu trazer o empate em 1 a 1 aos trancos e, literalmente, barrancos, e poderá decidir a vaga em casa, com o apoio da torcida, na partida de volta.

O jogo começou truncado, com as duas equipes se estudando bastante e tentando encontrar espaços. Embora tenham sido 45 minutos de poucas emoções, as equipes não se acovardaram e saíram para o jogo, mostrando que queriam a vitória. A melhor chance do Cancão de Fogo no primeiro tempo veio dos pés de Elivélton, aos 15 minutos, em cobrança de falta que passou rente às traves defendidas por Renan Bragança. Já o Mecão assustou com um belo chute de Souza, de fora da área, defendido por Pedro Campanelli, aos 20 minutos.
Na volta do intervalo o jogo esquentou – em todos os sentidos. Já no início da etapa complementar, Hebert marcou um golaço para o América, após um rápido contra-ataque armado por Souza. O camisa 8 disparou em direção ao terceiro terço do campo e cruzou com perfeição para o nosso artilheiro marcar, de cabeça, encobrindo o goleiro sertanejo, que nem se jogasse a luva evitaria esse gol. O gol logo aos 5 minutos do segundo tempo deu ao time alvirrubro uma falsa tranquilidade, que infelizmente durou pouco.
Embora a defesa estivesse bem sólida, administrando muito bem a partida, o Mecão acabou cedendo o empate à equipe baiana logo aos 9 minutos, após cobrança de falta por Daniel, que levantou na área para Caculé, sozinho, subir para marcar. Após o gol houve um estranhamento entre os jogadores das equipes e a arbitragem, que já dava sinais de que não era lá essas coisas, e começou a se complicar de verdade.
Em mais um lance contestável, o árbitro Raimundo Rodrigues marcou pênalti para a equipe mandante logo aos 20 minutos. Aruá, na tentativa de proteger a bola, encostou o braço em Alexsandro, que caiu na área e convenceu o árbitro, o qual assinalou a penalidade. Como pênalti mandrake não entra, o próprio Alexsandro cobrou, mas Renan Bragança defendeu em dois tempos, com certa tranquilidade. O goleiro do Mecão, aliás, foi um dos destaques da partida — seguro, atento e decisivo na hora certa.
Reclamar da arbitragem, inclusive, parece ser lugar-comum de torcedor derrotado. Quando o resultado da partida não agrada, a primeira coisa que o torcedor faz é reclamar de campo e de arbitragem. Neste caso, no entanto, embora o América não tenha demonstrado tanta gana em vencer esta partida, é inegável que a qualidade do gramado e a arbitragem padrão Elifoot foram fatores preponderantes para o resultado.
Para completar a lambança, aos 35’, Dudu agride, com uma “bochechada”, a mão do jogador Mococa, da Juazeirense, bem na frente do quarto árbitro e leva, de forma “justa”, um cartão amarelo. Não que isso tenha influenciado no resultado, mas, ironias à parte, a agressão do jogador da Juazeirense deveria ter sido punida com expulsão, o que não foi o caso. Além de ter tomado apenas um amarelo, a punição foi idêntica à do jogador agredido.

Mesmo não fazendo uma atuação exuberante, o América mostrou maturidade para suportar a pressão e saiu de campo com um resultado que pode ser considerado positivo, especialmente pela vantagem de decidir o confronto em casa. Em um mata-mata, um empate fora de casa costuma ter gosto de vitória, especialmente quando o campo não permite uma boa atuação, com troca de passes e boas técnicas. Agora o Mecão tem 90 minutos em casa para carimbar a vaga nas oitavas.
O jogo de volta será já no próximo domingo (10), às 16h, na Casa de Apostas Arena das Dunas. A missão é clara: vencer para seguir sonhando com o retorno à Série C. O torcedor alvirrubro agora tem a missão de se fazer presente e, mais uma vez, mostrar a força que tem, empurrando este time rumo à vitória e à classificação. A batalha está só começando.
VAMOS SUBIR, MECÃO!
Por Carmen Gabrielli
*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo
Um comentário sobre “Dragão sem chama, Cancão sem fogo e arbitragem queimada: uma ode ao desastre”
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