No sufoco, América arranca empate e adia colapso completo


Time joga um pouco melhor, mas ainda coleciona falhas, vaias e dúvidas sobre o que, afinal, está tentando fazer na Série B

Na noite deste domingo (27), o América-MG empatou por 2 a 2 com o Athletico-PR na Arena Independência, em Belo Horizonte, pela 19ª rodada da Série B do Campeonato Brasileiro. Diante de um público mais curioso do que confiante, o Coelho até conseguiu apresentar lampejos de organização, mas nada que animasse de verdade o torcedor.

A atuação foi levemente superior ao que se viu nos últimos desastres, é verdade, mas ainda repleta de falhas, desconexões e sustos. O empate só veio no último lance do jogo, com William Bigode convertendo o rebote de um pênalti que ele mesmo havia perdido. É um retrato perfeito da fase: nem a redenção vem sem sofrimento.

Com o resultado, o América chegou aos 21 pontos e encerrou o primeiro turno da Série B perigosamente próximo da zona de rebaixamento, ocupando a 15ª colocação. A preocupação, no entanto, não se limita à posição na tabela. Como destacou a repórter Fernanda Dourado, do portal O Tempo, o América passou a ter a pior defesa da competição, com 28 gols sofridos, marca que supera, inclusive, a do lanterna Amazonas. É um número que escancara a fragilidade do sistema defensivo e evidencia como a equipe vem colecionando erros básicos rodada após rodada. Segundo o texto de Samuel Resende, da Itatiaia, o América até conseguiu manter a posse e controlar parte do jogo, mas a inconsistência emocional e técnica do elenco voltou a aparecer.

O Coelho levou o primeiro gol ainda no primeiro tempo e foi para o intervalo em desvantagem, com a já conhecida expressão de quem não sabe muito bem o que fazer com a bola. No segundo tempo, Marlon empatou a partida, aproveitando cobrança de escanteio. A esperança, no entanto, durou pouco.

Foto: Mourão Panda/ América

O Athletico-PR voltou a marcar e retomou a vantagem. Só no último lance da partida, e depois de William Bigode desperdiçar a cobrança de pênalti, o próprio atacante pegou o rebote e garantiu o 2 a 2. Um ponto conquistado no sufoco, que não livra o time da crise e apenas confirma a dependência de lampejos individuais para minimizar o caos coletivo.

A escalação inicial já trouxe elementos que causaram dúvidas e até certa indignação na torcida, a começar pelo gol. Dalberson foi o escolhido para começar a partida no lugar de Matheus Mendes, escolha que, pelo menos para esta colunista, não agradou. No meio-campo, uma boa surpresa: Elízari, um dos poucos que ainda parecem enxergar o futebol como algo a ser jogado com técnica e seriedade, começou como titular e mostrou mais uma vez que talvez devesse estar ali com mais frequência.

Outra grata surpresa foi a presença de Guilherme, garoto da base, que estreou no time profissional com mais consistência do que muitos dos medalhões que já cansaram de comprometer. Para completar o cenário caótico, nem o técnico Enderson Moreira esteve à beira do gramado. Cumpria suspensão pela expulsão no jogo anterior. No lugar dele, quem comandou o time foi o auxiliar Luís Fernando Flores.

Foto: Mourão Panda/ América

Nas arquibancadas, o clima era de revolta, mas não daquela que se manifesta no grito de apoio. A Barra Una, uma das principais torcidas organizadas do América, escolheu protestar de forma silenciosa: sem suas tradicionais faixas, sem cantos, sem festa. Um silêncio eloquente, que por si só já dizia tudo sobre o descontentamento com a fase do clube.

Entre os demais torcedores presentes, as vaias se fizeram ouvir com frequência, principalmente quando Mariano tocava na bola. Parte da torcida, em delírio conspiratório, voltou a circular a ideia de que o jogador seria atleticano e, por isso, não estaria entregando o que pode em campo. Uma acusação absurda. O que salta aos olhos no caso específico do Mariano é a perda de explosão, o que é natural para quem já acumula experiência e idade, e não consegue mais acompanhar o ritmo necessário para a função. Culpar isso por má vontade é desonesto e desvia o foco do problema estrutural e coletivo que se arrasta no América há muito mais tempo.

No próximo sábado, 2 de agosto, o América volta a campo, desta vez fora de casa, contra o Botafogo-SP, em Ribeirão Preto. E mesmo com a fase delicada, o Coelho não estará sozinho. Os mais apaixonados torcedores já se mobilizam para acompanhar o time em mais uma batalha longe de casa. A caravana organizada pela Barra Una é a prova viva de que o amor pelo América resiste, mesmo quando tudo ao redor desmorona. Porque é essa mesma torcida que ontem se calou em protesto, que cobra com razão e que não se ilude com discurso vazio, que segue sendo a alma do clube. Eles não apoiam essa diretoria, nem esse elenco frágil, mas sim o América como instituição. O América que é maior do que qualquer fase ruim, maior do que qualquer resultado, e que sobrevive porque ainda há quem o ame de verdade e sem condições.

Por Laura Assis Ferreira

*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo.


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