Será o craque do Flamengo a vítima e não o vilão?
“O meu olho me diz o que vejo nos treinos, mas temos dados, dados de GPS que dizem que o Pedro é o último em absolutamente tudo nessa semana. E um jogador que é o último em todas as valências físicas, que é alta intensidade, aceleração, desaceleração… Não está pronto para performar”. Trechos da entrevista de Filipe Luís, retirado do site da CNN.
No sábado (12), após a grande vitória rubro-negra diante do Tricolor Paulista, que consolidou a posição do time carioca na primeira colocação do Brasileirão, o assunto nas redes foi a entrevista do técnico Filipe Luís no pós jogo. O rapaz, até então comedido nas entrevistas, não economizou nas duras críticas ao jogador Pedro.

No meu modo de ver, no complexo mundo do futebol que mexe com a emoção de mais de 200.000.000 de brasileiros, a crítica, como foi feita, é papel exclusivo do torcedor, o consumidor final. Para isso ele tem os grupos fechados de WhatsApp, o bate papo nos quiosques à beira mar, a arquibancada etc.
Situações como essa são muitas vezes fruto de uma cadeia de eventos que envolvem o futebol nacional. A primeira, sem dúvida, é o tão falado calendário. Olhando a tabela do Flamengo para esse início de segundo semestre, vemos jogos em todos os meios e finais de semana. E o time ainda deve um jogo adiado diante do Sport. Coloquem aí o tempo passado em campos de treino, salas de fisioterapia e aeroportos.
Jogador de futebol não deve saber como é almoço de domingo em família, festinha das crianças na escola ou um cinema de sábado à tarde. Alguns vão dizer que estão na profissão que escolheram, mas a realidade atual é de exploração de pés de obra. E todos estão condenados a lesões que cobrarão um preço alto quando ficarem mais velhos. O ídolo Zico, há pouco tempo, precisou colocar uma prótese no quadril.
Antes da parada para a Copa do Mundo de Clubes, o técnico Roger Machado disse que muitas vezes ele acorda no meio da noite e demora para descobrir onde está. Infelizmente essa fala não teve a mesma repercussão que a de Filipe Luís.
Depois do calendário criminoso, vem a gestão do clube. Faltou o tal profissionalismo. Se os problemas disciplinares do jogador vêm desde o tempo do Rogério Ceni (20/21), por que não tomaram uma providência naquela época? Não faz sentido algum desvalorizar o jogador agora. Poderiam tê-lo negociado. Certamente não faltaram oportunidades.
Por fim, o “Filipinho” mandou mal nessa. Sabemos que ele está chateado com as atitudes do jogador, mas é totalmente desnecessário expor esse tipo de situação diante das câmeras de TV. Roupa suja se lava em casa. Eu teria levado o rapaz para o jogo e deixado na reserva. Atitudes como essa fazem o técnico “perder” um pouco o grupo. Pode se criar um clima ruim sem necessidade.
O Brasil não fabrica talentos, eles surgem naturalmente, mas muitos ficam pelo caminho pelas razões supracitadas. Outros, quando bem trabalhados, chegaram à glória. Estamos cheios de exemplos por aí. Basta “puxar” na memória.
Por Celeste Gonçalves
*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo.