Coelho volta a jogar mal e é superado com facilidade pelo adversário fora de casa
O América até começou bem, teve postura ofensiva, criou mais e abriu o placar — mas, como já virou rotina fora de casa, o que parecia promissor virou tragédia. Na noite deste sábado (12), o Coelho foi derrotado por 3 a 1 pelo Novorizontino, no Estádio Jorge Ismael de Biasi, em Novo Horizonte, e viu ruir qualquer tentativa de embalar uma sequência sólida na Série B.

O time de Enderson Moreira mostrou atitude no primeiro tempo, mas sucumbiu a erros individuais e, mais uma vez, ao apagão coletivo na etapa final. Com o resultado, o América estaciona nos 20 pontos e perde a chance de colar de vez no pelotão de cima da tabela.
Para o confronto no interior paulista, o técnico Enderson Moreira escalou o América com: Matheus Mendes; Mariano, Júlio César, Ricardo Silva e Marlon; Cauan Barros, Miqueias e Miguelito; Stênio, William Bigode e Lucão. Mesmo atuando fora de casa contra um adversário melhor colocado, o Coelho começou bem, com atitude, intensidade e boa ocupação de espaço.
A pressão inicial se transformou em gol aos 21 minutos do primeiro tempo, quando Cauan Barros aproveitou sobra na entrada da área e finalizou com firmeza, abrindo o placar para o América. Era um início promissor, com o time mineiro conseguindo neutralizar o Novorizontino e levando perigo nas transições.
A vantagem americana não durou muito. Aos 44 minutos da primeira etapa, Bruno José foi derrubado na área e o árbitro marcou pênalti para o Novorizontino. Na cobrança, Matheus Frizzo bateu rasteiro, no meio do gol, e contou com a infelicidade de Matheus Mendes, que saltou para o canto e nada pôde fazer: tudo igual no placar.
No segundo tempo, o Coelho teve nova chance de retomar à frente com William Bigode, que perdeu um gol feito após jogada de Stênio. O castigo veio logo depois: aos 26 minutos, após bate-rebate dentro da área, Pablo Dyego empurrou para as redes e virou o jogo. O assistente até marcou impedimento, mas o VAR confirmou o gol. E ainda havia tempo para mais: aos 46’, em cobrança de escanteio, Matheus Mendes saiu mal, e César Martins aproveitou para selar a vitória do Tigre por 3 a 1.
Depois da derrota em casa para o Athletic, o técnico Enderson Moreira pediu desculpas públicas ao torcedor, reconhecendo a atuação pífia e o desempenho abaixo do mínimo aceitável. Mas e aí? O que mudou? Seguimos colecionando fracassos e vendo o acesso se transformar em miragem. A derrota para o Novorizontino escancara o abismo entre discurso e prática: um time sem alma, sem liderança em campo e sem qualquer resquício de espírito competitivo.
O torcedor, que vaiou no Independência, segue vaiando — agora não só por indignação, mas por cansaço. O que se vê é o reflexo de uma diretoria perdida, apática e mal articulada, que parece mais preocupada em blindar discursos do que em apresentar soluções. O América se afasta do G4, e mais ainda de sua própria identidade. O momento exige muito mais do que entrevistas e desculpas: exige atitude, vergonha na cara e respeito pela camisa verde e preta.
No próximo domingo, 20 de julho, às 18h30, o América volta a campo para enfrentar a Chapecoense no Independência — adversário tradicional e mais um capítulo dessa Série B que tem sido amarga para o torcedor. Diante do frio, da sequência de resultados decepcionantes e do sentimento crescente de revolta e frustração, é provável que apenas os mais fanáticos se façam presentes nas arquibancadas. E com razão: o time que entra em campo não tem feito por merecer o apoio incondicional de uma torcida que ama esse clube apesar da mediocridade de seus gestores e da apatia de grande parte do elenco. O América precisa mais do que nunca de respostas — e, principalmente, de vergonha na cara.
Laura Assis Ferreira
*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo.