Botafogo derrota o Paris Saint-Germain por 1 a 0 e faz história no Mundial de Clubes
O Botafogo enfrentou o PSG, nesta quinta-feira (19), às 22h, no Estádio Rose Bowl, em Los Angeles, pelo Mundial de Clubes da FIFA. O Glorioso venceu a partida por 1 a 0, com gol de Igor Jesus, e garantiu uma vitória histórica para o clube e para o futebol brasileiro.

O Time de General Severiano – atual campeão nacional e continental – entrou em campo vindo de uma vitória importante contra o Seattle Sounders no último domingo (15). Agora, tinha pela frente o atual campeão da Europa e um dos maiores desafios da temporada e também de sua história.
A superioridade técnica do Time Francês era um fator que angustiava o torcedor botafoguense desde o sorteio. Na teoria, não havia possibilidade de evitar uma derrota; apenas uma goleada. Ao longo dos dias que antecederam a partida, a internet não perdoou. O favoritismo do PSG virou símbolo de piada sobre o Botafogo nas redes sociais.
Apesar da tensão, o torcedor Alvinegro tinha um plano em mente: ganhar a primeira partida e então perder para o PSG por um placar considerável, qualquer cenário que ainda mantivesse viva a esperança da classificação. Arrisco a dizer que mediante todo nervosismo, nem o mais otimista desses roteiristas poderia sonhar com o que aconteceria nos 90 minutos da partida.
Quando o duelo iniciou, os botafoguenses se agarraram cada vez mais ao roteiro que haviam criado. O Paris dominava a partida e, apesar de não chegar com muito perigo na área alvinegra, demonstrava superioridade na posse de bola, não deixando o Fogão sair do seu campo de defesa. O Botafogo contou com uma noite inspirada de Allan para arriscar jogadas rápidas e passar pela defesa dos franceses com mais frequência.
Após algumas tentativas, finalmente o Time Carioca se encontrou no próprio jogo. As jogadas interceptadas pelo capitão Marlon Freitas tentavam achar o camisa 7, Artur, livre pela ponta direita e demonstravam um Botafogo que, contrariando as críticas, veio para se impor contra o PSG.
As dificuldades afunilavam para as duas equipes, até que uma bola longa do meia Savarino achou o atacante Igor Jesus e, aos 36 minutos do primeiro tempo, o Botafogo abriu o placar na Califórnia, levando a torcida ao delírio nos Estados Unidos e no Brasil. Independente do placar final, a história já havia sido escrita. Mas o Fogão queria mais. Agora dava pra sonhar um pouco mais!
Se o primeiro tempo foi com emoção, o torcedor alvinegro não imaginava o que viria pela frente na etapa final. Um PSG que lançava bolas na área e trabalhava a bola no campo do Botafogo e um Fogão que buscava sair em contra-ataque nos espaços deixados pelos parisienses.
Mas apesar das tentativas dos franceses, o Botafogo se defendeu como pôde e segurou o placar. Uma vitória simbólica não só para o clube, mas também para o futebol brasileiro, já que um time do país não vencia uma equipe europeia desde 2012.
Como torcedora e também muito crítica nas horas vagas e não vagas, tenho que me render ao brilhantismo de Renato Paiva na partida de hoje. O Português montou uma escalação coerente que deu espaço e oportunidade para jogadores como o volante Allan, um dos destaques da partida. Renato investiu em uma equipe ofensiva e bem posicionada defensivamente e colheu os frutos das boas escolhas.
O Botafogo não se limitou às circunstâncias e isso é o mais interessante de se observar. Atualmente, sofre-se com as diferenças técnicas entre jogadores brasileiros e os das principais ligas da Europa. Mas o que vimos hoje torna tudo mais especial: o Bota não se amedrontou, buscou jogo, buscando a excelência em meio às limitações que, de fato, existem. E é exatamente isso que me leva a festejar, além do placar.
Embora a vitória seja o ponto alto da noite, eu também celebro, junto aos meus irmãos de camisa, a continuação de um sonho. Esse sonho que com certeza envolve mais do que o jogo: comemora-se a sobrevivência de um clube que se fez pensar coadjuvante nos últimos anos. Se, por algum momento, esqueceram que o protagonismo está na raiz do clube do bairro de Botafogo, hoje também foi dia de recordar..
E se algum dia a esperança de estar em primeiro plano esteve perdida, talvez, hoje, definitivamente, ela tenha voltado para o seu devido lugar. Acreditar! Se acreditar é inerente ao ser humano, então eu penso que somos os sonhos que mantemos vivos. E é por isso que seguimos desse jeito: sem pânico de nada e sem medo dos homens, porque no final, somos 11 contra 11.

Já dizia o velho dito popular: jogo é jogado e lambari é pescado. No final, estatísticas são só números. Não nos importam!
O Botafogo volta a campo na segunda-feira, dia 23 de Junho, às 16h, contra o Atlético de Madrid, no estádio Rose Bowl, pela última rodada da fase de grupos do Mundial de Clubes. O Fogão pode perder até por 1 gol de diferença para avançar na competição.
Para continuar elevando o nosso nome nas prateleiras mundiais, vamos ganhar, Fogo! Nós já provamos que podemos!
Por Julia Aveiro
*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo.