Apostar no amor custa caro, e torcer pelo Athletico Paranaense é se arriscar a viver uma paixão avassaladora e extremamente perigosa
Para aqueles românticos, que se entregam à paixão e se envolvem até a cabeça nas altas expectativas de um possível amor, a decepção amorosa é um verdadeiro choque para o coração. A tristeza de um coração partido tem muito a dizer, mas o que isso tem a ver com o futebol? Tudo.
Se envolver no jogo do amor pode ser uma aventura daquelas, ainda mais quando o futebol entra em campo. No que diz respeito ao coração do torcedor athleticano, esse, com toda certeza, vem embalado com altas emoções e não necessariamente das boas, afinal, torcer para o Club Athletico Paranaense é uma verdadeira lição de vida.
Torcer para o rubro-negro é se acostumar a quebrar barreiras e ser impactada por elas; é sentir o coração acelerar a cada jogo e nunca deixar de se envolver no canto da torcida, mesmo quando tudo parece perdido, quando tudo está realmente perdido.

Ser athleticano(a) é entender que nada vem fácil – até mesmo um empate contra o maior rival, e que a glória tem um sabor diferente – ainda mais em competições internacionais. É ter orgulho de um clube que se reinventa, inventa, não teme os “gigantes” e que muitas vezes, renasce das cinzas. É acima de tudo, amar na boa ou na ruim – porque assim como no amor não há garantias, apenas uma certeza: o sentimento.
No jogo do amor, o Furacão sucumbiu com a mesma brutalidade do inesquecível 7 a 1 que dilacerou a seleção brasileira. No ano do seu centenário, uma sequência desastrosa – quase profetizada pelo enigmático Pablo – resultou num desfecho amargo.
A queda começou com a demissão do excêntrico professor Osorio, dono do melhor aproveitamento da equipe na temporada, com 69,4%. Seguiu-se com a controversa escolha de um treinador envolvido em crimes sexuais, a falta de reforços na janela de transferências e, então, as derrotas implacáveis: a queda nos pênaltis para o Vasco da Gama nas quartas da Copa do Brasil e o baque da goleada diante do Racing na Copa Sul-Americana. Por fim, o golpe mais cruel: o quarto rebaixamento da história do clube.
Para um time acostumado a desafiar gigantes, cair de divisão não é apenas um revés, é uma facada na alma do torcedor, um baque que ecoa nas arquibancadas e no silêncio daqueles que já não sabem se acreditam ou apenas esperam. O Athletico, que por muitas vezes desafiou a lógica, a mídia e a própria torcida, acabou preso pela tempestade que ele mesmo criou. Foram cinco términos dolorosos, como um romance ioiô que insiste em recomeçar, mas nunca se acerta. Fica ou parte? Avança ou recua? O coração do torcedor, já calejado, se perdeu entre promessas e despedidas.
A chegada de 2025 trouxe reformulações: um novo elenco, um novo técnico, uma nova proposta e mudanças que, em outros tempos, fariam o coração do torcedor bater mais forte. Agora, porém, qualquer empolgação vem com os dois pés atrás e a desconfiança na outra mão. Porque quem já teve o coração partido sabe: promessas não bastam, é preciso ver para crer.
Eu, como uma pseudo romântica, não acredito nem vendo – e nem o torcedor athleticano que viu o time ser desclassificado nas semis do Ruralzão pelo time do interior, o Dogão! Com a casa cheia, o Athletico levou um baile do Maringá e deu adeus a chance de acumular mais um tricampeonato paranaense.
Há quem diga que tudo isso é culpa da astrologia, do inferno astral, das águas de março, do sapo enterrado, do ego do Petraglia, do azar, da praga dos deuses do futebol. Eu diria que é apenas uma fase ruim e como toda fase ruim, essa também vai passar. É como os corações partidos, com o tempo eles vão curar.
Tanto no futebol quanto no amor, a esperança sempre renasce. Uma nova temporada, um novo campeonato, um novo técnico, um novo craque — assim como um novo amor pode curar um coração partido. No fim, seguimos acreditando, porque é isso que nos mantém de pé, o amor. E assim, com o peito ainda machucado, mas a alma teimosa, damos as boas-vindas à Série B.
Vamos Furacão, por essa reviravolta?
Por Bruna Dias
*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo.
2 comentários sobre “FUTEBOL E CORAÇÃO PARTIDO: AMAR O ATHLETICO É ISSO! ”
Meu canéco! Arrasou. Parabéns
Só li verdades…