Juventude vai até São Paulo para enfrentar as atuais campeãs do Brasileirão A1

Na tarde desta quinta-feira (27), as Gurias Jaconeras viajam até São Paulo para encontrar o Corinthians na Fazendinha (Estádio Parque São Jorge), na zona leste da capital paulista. O confronto tem início às 16h e fecha a segunda rodada de jogos do recém iniciado Brasileirão A1. O jogo tem transmissão confirmada pela TV Brasil.
Apesar do empate questionável no primeiro jogo, as Gurias Esmeraldas tiveram um resultado melhor do que o esperado, superando inclusive a estreia da dupla Gre-Nal, onde ambas as equipes perderam. Dentro de casa, o Juventude conseguiu encontrar espaço para trabalhar e deixar a atacante Kamile Loirão livre para finalizar. Não fosse o pênalti duvidoso marcado a favor da equipe de Minas Gerais, as Jaconeras teriam fechado seu primeiro jogo na elite com uma vitória advinda do esforço e da força de vontade das jogadoras.
Visando um jogo contra o Corinthians de Lucas Piccinato, é possível que o professor Luciano Brandalise precise trabalhar com um time um pouco mais expansivo, sem perder a ofensividade. Muito se diz que o futebol gaúcho consiste em conseguir um gol e depois retrancar, mas levando em consideração que não importa qual fosse o resultado de Real Brasília x Corinthians, o Papo ainda seria considerado o azarão do segundo jogo, não vejo o que as Gurias têm a perder.
Óbvio que enfrentar um time que acabou de sair de um jogo onde enfiou oito gols no adversário não é a coisa mais confortável do mundo. Mesmo assim, é importante lembrar que as Brabas perderam dois títulos de dois disputados desde dezembro, um destes sendo o Campeonato Paulista para as Palestrinas e o outro sendo a Supercopa para o São Paulo. Sim, é possível que nomes como Andressa Alves, Tamires e Vic Albuquerque ainda façam com que o plantel do Corinthians seja o melhor do Brasil, contudo, todos os outros projetos da Série A1 são muito bem pensados e recheados de grandes jogadoras.

Só nos times do Rio Grande do Sul temos Flávia Pissaia, Julia Bianchi e Dani Barão. Em outros times do sudeste temos Isa Haas, Djeni Becker, Pri Back, Bruna Calderan, Micaelly, Glaucia, Gisseli, Fe Palermo, Cristiane e Byanca Brasil. Mais pra cima ainda temos Kaiuska, Ellen, Sole Jaimes e Carla Nunes. No papel, o time do Corinthians não é mais o único com nomes pesados. Na prática, as Brabas da capital não entraram num ano típico, levando em consideração seu passado com Arthur Elias.
Não acho que a culpa seja do treinador, honestamente. A torcida corinthiana só não estava preparada para que o investimento – tardio – de outras equipes no departamento feminino pudesse dar resultado ao ponto de que as campeãs da América pudessem ser afetadas. Como torcedora mas, principalmente, como amante da modalidade: que bom que está dando resultado! Um campeonato de um vencedor não é atrativo para quase ninguém e todo mundo ama uma boa história de uma azarão vitorioso. Para conquistar novos admiradores, é tudo sobre storytelling. O Bahia já começou vencendo o Internacional em busca de uma história incrível nesse Brasileirão A1 e nada impede que o Juventude ouse sonhar com um feito parecido.
Preparado para o que der e vier, o elenco que entra em campo para tentar derrubar a Fazendinha é: Renata; Grazi, Rayane Pires, Bruna Emília e Maiza Piovezan; Alice, Dani Venturini e Eduarda Tosti (Drielly). Pissaia, Teté e Kamile Loirão. O time mantém o que funcionou contra o América -, mas possivelmente dá chance para peças que entraram do banco de reservas e encorparam mais ainda o jogo agressivo das Esmeraldas.
É claro que é difícil. É claro que os números estão a favor das Brabas. Elas têm os nomes, a casa, a torcida e a história recente do lado delas. Entretanto, o Juventude tem a garra, a novidade, a criatividade e a possível sorte de principiante pronta para fazer valer o seu esforço. Todo mundo que acompanha futebol provavelmente acha que é impossível, mas essa é a delícia de acompanhar o Papão.
O time masculino subir em um ano de Série B disputada era impossível. Se manter na Série A de um campeonato masculino em um momento de troca de técnico e melhora dos adversários era ainda mais impossível. As Gurias Jaconeras se manterem firmes até a semifinal do Brasileirão A2 de 2024 era impossível. Sair da estreia na elite tirando pelo menos um ponto do América também era. E foi feito. Todas essas coisas foram feitas porque essa é a essência do Juventude. Fazer o impossível, possível!
Por Luiza Corrêa
*Esclarecemos que os textos trazidos nesta coluna não refletem, necessariamente, a opinião do Portal Mulheres em Campo.